O MEO tem os Gato Fedorento, a NOS tem o Bruno Nogueira

O humor na publicidade das operadoras.

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A ligação dos Gato Fedorento ao MEO já é antiga. Na verdade, o grupo de Ricardo Araújo Pereira está com a marca desde o seu nascimento, em 2007. Mas a associação da NOS a Bruno Nogueira é bem mais recente. A ligação apareceu no início de 2013, com o humorista a comunicar um novo produto de internet da então Optimus, mas manteve-se em standby até há bem pouco tempo.

Só depois do nascimento da marca NOS a 16 de Maio deste ano é que Bruno Nogueira voltou aos ecrãs, mas desta vez só a sua voz. “O Bruno é um comunicador nato e que tem a capacidade de transmitir qualquer mensagem de uma forma muito divertida e eficaz. Paralelamente, é um actor que utiliza o registo do humor de uma forma inconfundível”, referiu fonte da NOS ao Shifter.

Coincidência, ou não, as duas maiores operadoras de telecomunicações em Portugal associaram-se a humoristas para fazerem as suas mensagens publicitárias vingar nos 15 minutos publicitários da televisão. Com o Bruno de um lado e os Gato do outro, a NOS e o MEO procuram criar empatia com quem está do outro lado, proporcionando momentos de boa disposição enquanto anunciam um novo tarifário de telemóvel ou falam de um serviço inovador de televisão.

O recurso ao Bruno Nogueira como voz de uma marca institucional “séria” começou em 2006. Na sequência da explosão criativa do “standup comedy”, o Millennium BCP lançou uma campanha, intitulada “Jovens Com Asas”, para a sua conta jovem. Ao longo de vários episódios, o Bruno Nogueira já dava a cara enquanto “Bruno Nogueira” e mostrava o seu estilo inconfundível de se meter com tudo o que mexe, a começar por ele próprio. Os vários episódios ainda podem ser vistos no YouTube.

Oito anos depois, o país mudou. O Bruno e os Gatos institucionalizaram-se, viraram “mainstream” e, depois de anos de Gatos como personagens do MEO, o Bruno passa a ser a voz da nova NOS. Não a cara, mas a voz.

A campanha vai buscar inspiração ao tom e ao tema da über-famosa campanha de rádio Bud Light “Real American Heroes”, mais tarde renomeada “Real Men of Genius” (final da década de noventa). O tom era comico-épico e o tema era a consagração das profissões americanas mais absurdas, “Mr. Hawaiian Shirt Pattern Designer” ou “Mr. Outside The Stadium Peanut Seller”, num jingle de rock FM que se mantinha de spot para spot, mas funcionava sempre.

A campanha da NOS não consagra profissões, mas consagra “os verdadeiros heróis dos nossos dias”, em registo mais realista. Estes heróis somos (obviamente) todos nós, o pessoal que se dedica àqueles comportamentos absurdos diários, em que todos nos revemos ou revemos alguém próximo, numa série de filmes divertidos sobre “homens que não vertem uma lágrima”, “travam batalhas contra o sono” ou “dão um toque” com o telemóvel, mas nunca fazem chamadas.

Este registo comico-realista NOS do Bruno Nogueira (mais “slice of life”) contrasta com o registo comico-encenado MEO dos Gatos (mais teatral) e mostra que também a NOS seguiu o caminho de não se levar demasiado a sério. Numa altura em que as principais instituições do país são colocadas em causa aos olhos das novas gerações, uma marca “mainstream” com uma perspetiva bem humorada sobre o dia-dia parece uma forma eficiente de gerar empatia.

Sobre se o repescar de Bruno Nogueira pela NOS foi uma resposta directa ao MEO, a operadora apenas garantiu que “trilha o seu próprio caminho em todas as áreas e a comunicação não é excepção”.

(Ricardo Miranda contribuiu neste artigo)

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