Kim Dotcom, criador do Megaupload, quer ajudar os músicos independentes a fazer dinheiro na net


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Numa altura em que as críticas ao Spotify vão aumentando – venham elas de utilizadores ou de artistas já estabelecidos como Pink Floyd, Thom Yorke e will.i.am –, Baboom poderá apresentar-se como uma alternativa viável. A ideia vem de Kim Dotcom, o empresário milionário que estava por trás do site Megaupload e que hoje em dia ocupa o seu tempo com a música, aspirações políticas e a tentar evitar a extradição para os Estados Unidos.

A Baboom Lda, subsidiária portuguesa com base no Porto, é dirigida por Marco Oliveira, e está encarregue da parte tecnológica, ou seja, é responsável pelo desenvolvimento da plataforma. A equipa que está a trabalhar na Baboom mudou-se de Aveiro para o Porto, há dois anos, recrutada de uma empresa com a qual Kim Dotcom já tinha trabalhado.

Esta plataforma de música digital, que pretende dar mais liberdade ao artista no que diz respeito à distribuição, vai ter um sistema de streaming e também a mais tradicional modalidade de download. Tal como o Spotify, a opção de ouvir música gratuitamente com intervalos para publicidade vai estar disponível.

Até aqui, as diferenças entre Baboom e Spotify não se parecem notar. Então o que diferencia realmente estas duas plataformas? A resposta reside no modelo de distribuição das receitas. O Spotify entrega aproximadamente 70% das receitas às entidades gestoras de direitos, e só depois é que estas as repartem pelos artistas, baseando-se na frequência com que são ouvidos.

No caso da Baboom, os artistas que quiserem disponibilizar a sua música recebem cerca de 90% das receitas. O modelo até agora adoptado pelo Spotify tem sido objecto de desaprovação por parte dos artistas, que afirmam que aquilo que recebem pela sua música torna inviável qualquer projecto musical. “O que o Spotify me paga não é suficiente para pagar aos músicos com quem trabalho nem às pessoas que produzem a minha música. O modelo não funciona”, diz o músico norte-americano Beck.

Dotcom detém indirectamente 45% do capital através de um fundo de família, e o restante está distribuído por investidores estrangeiros. Consciente da imagem pública que transmite, Kim tem uma interacção mínima ou nula na gestão da empresa.
Salvo algum imprevisto, a plataforma de música digital será lançada no primeiro trimestre de 2015, num número limitado de mercados, entre os quais Portugal fará parte.

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