“Estou de férias. Não posso ler o seu e-mail. Este será automaticamente apagado”


São cada vez mais os funcionários de grandes empresas que podem tirar férias e deixar absolutamente todas as preocupações do escritório em standby: a gigante produtora de automóveis alemã Daimler implementou o software Mail on Holiday, que permite que os seus funcionários com contas de e-mail activas desfrutem de uma pausa sem o peso na consciência de encontrar centenas de mensagens a entupir as suas caixas de entrada quando voltarem de férias.

A aplicação criada pela empresa com sede em Estugarda dá a cerca de 100 000 funcionários a possibilidade de apagar automaticamente, ou reencaminhar para um colega, qualquer e-mail recebido enquanto estão de férias, dependendo de se tratar de um assunto urgente. Quem enviar uma mensagem para os que estiverem ausentes irá receber em resposta algo como: “Estou de férias. Não posso ler o seu e-mail. O e-mail será apagado. Por favor contacte o Hans ou a Monika se o assunto for muito importante ou reenvie o e-mail quando eu tiver regressado ao escritório. Obrigado”.

A adesão a esta iniciativa é facultativa mas parece ser muito atractiva, agradando tanto funcionários como clientes, que se divertem com as respostas automáticas e invejam a app. A ideia surgiu no seguimento de uma pesquisa financiada pelo governo alemão e levada a cabo pela Daimler em 2010 e 2011 com a ajuda de psicanalistas da Universidade de Heidelberg, que permitiu chegar a algumas conclusões sobre como melhor manter o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal.

Num artigo publicado este mês pelo neurocientista David J. Levitin no jornal New York Times, é tratada a importância de nos abstrairmos de tudo e realmente parar para descansar, o que passa por largar todos os aparelhos electrónicos: “Um e-mail que sabes estar ali, por ler, pode esgotar recursos ligados à atenção à medida que o teu cérebro vai pensando nele, distraindo-te do que estás a fazer. […] É melhor desligar o programa de e-mail do que estar a ouvir o ping constante e saber que estás a ignorar mensagens”.

Desde que se comprovou que trabalhadores felizes equivalem a maior produtividade, que as empresas têm apostado em estratégias para melhorar o “descanso do pessoal”, afastando quase à força os seus funcionários dos escritórios e de todos os problemas que lhes estão associados (relembro o caso da TED que obriga quase todos os empregados a tirar férias ao mesmo tempo).

São já várias as multinacionais e grandes companhias que implementaram programas de “verdadeiras férias” para o bem da produtividade dos seus trabalhadores: a Volkswagen desliga as suas contas de e-mail depois do horário de expediente, os funcionários de vários sectores em França foram ordenados a ignorar quaisquer e-mails relacionados com o trabalho quando vão para casa e em Silicon Valley os campos de detox digital estão a transformar-se numa moda bem-vinda por muitos trabalhadores das grandes empresas tech que ali operam.

É um exemplo a seguir por outras empresas e que é até do interesse dos maiores workaholics, se estes não quiserem descurar os seus resultados: “Queremos que o médico dê o diagnóstico certo, e não o mais rápido. […]Fazer intervalos é biologicamente restaurador. […] Se nos treinarmos a tirar férias regulares – férias verdadeiramente sem trabalho – […] estaremos numa posição de maior poder para resolver alguns dos grandes problemas do mundo”, explica o neurocientista norte-americano no New York Times.

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