Aphex Twin e o cúmulo do underground: anunciar um novo disco na deep web


Não edita um disco desde 2001, é o músico favorito de Thom Yorke, comprou um edifício pertencente ao banco HSBC (para, reza a lenda, viver num dos cofres), e ainda assim continua a ser um dos músicos mais influentes do planeta. 2014 é o ano em que voltamos a celebrar a mitologia de Richard D. James, o génio apalhaçado por detrás de Aphex Twin. Celebramos a mitologia e, ao que tudo indica, a música.

É que o novo disco, SYRO, foi anunciado ontem num link partilhado via Twitter. O link é criptico como quase tudo o que seja palavra ou imagem associada a Richard D. James: http://syro2eznzea2xbpi.onion.

Antes disto, o mesmo link – contendo o nome do disco, a tracklist e o que aparentam ser as BPM de cada faixa – já circulava via Tor, um browser da deep web, uma versão clandestina da internet tal como a conhecemos, utilizada para partilhar – adivinharam – coisas tendencialmente clandestinas. Ou regressos globalmente ansiados. O culto perpetua-se. Não sabemos bem se a forma escolhida para o anúncio se deve à veia de palhaço genial, tão underground que teve de recorrer à deep web, ou ao estatuto de fantasma pairante sobre a música eclectrónica contemporânea: provavelmente de ambas, mas não é importante. Celebre-se.

aphextwin_deepweb

A trama adensara-se desde Sábado passado, quando um balão foi visto nos céus de Londres ostentando o logotipo de Aphex Twin, ao mesmo tempo que relatos de Nova Iorque falavam de stencils com o mesmo logo aplicados à porta do Radio City Music Hall. Um par de dias depois, Richard D. James, que pouco aparece mas vai dizendo que tem toneladas de música por editar, lá deu a boa nova a uma imensa legião de fãs.

Moral da história: não há ainda data marcada para o lançamento, mas SYRO tem tudo para ser um acontecimento ainda mais indiscutível junto da crítica e da Igreja Universal Come to Daddy , do que os regressos em 2013 dos eremitas Boards of Canada (morninho) ou dos galácticos Daft Punk (chatarrão). Sim, é um daqueles: ainda não o ouvimos e já é o disco do ano.

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