Review: ‘Game Of Thrones T4’


Terminou recentemente e já está a gerar tanta saudade. Não é de admirar que a série, inspirada na obra de George R.R Martins, tenha originado esta reacção em ti e nos restantes fãs pois confirmou a mestria das três temporadas anteriores. Mesmo para os leitores da colectânea A Song of Ice and Fire, a quarta temporada tornou-se uma verdadeira “montanha-russa” ao afastar-se da referência em alguns episódios. O resultado foi épico. Só nos resta esperar até 2015 e continuar com saudades… muitas saudades.

Excelência dos Episódios

O esforço é quase pouco para me referir à qualidade geral dos episódios. Escolha excepcional de actores para as novas personagens (destaque, natural, para Pedro Pascal), fotografia, realização, guião… tudo a roçar a perfeição.

De facto, os realizadores David Benioff e D. B. Weiss mostraram mais uma vez como criar uma “super-cola” que nos prende ao ecrã – não me esqueço da semana que precedia o episódio The Viper and the Mountain, o alarido que se fez no Facebook em torno do duelo… e nunca mais chegava domingo! Não é por acaso que esta quarta temporada foi a mais vista de sempre da HBO com 18,4 milhões de visualizações, ultrapassando os 18,2 milhões dos Sopranos. É obra!

got4_review_02O que mais me agradou foi verificar que a série está a crescer, a evoluir e a tornar-se cada vez mais interessante de temporada para temporada. Todo o hype em torno de Game of Thrones é justificado, e graças ao triunvirato Benioff, Weiss e Martin. Abençoadas coincidências da vida!

“All men must die”

David Benioff e D. B. Weiss fortaleceram o carácter das personagens, aproximando-as, ainda mais, do seu público, até mesmo as que mais odiávamos (a morte do Joffrey foi um misto de satisfação e de pena – pena por não poder odiar mais a personagem que mais ódio me criou numa série televisiva – aposto que outra surgirá).

Apesar das habituais e inesperadas mortes, a quarta temporada deu a ligação a algumas pontas soltas que pairavam: o desabrochar da Sansa, o cair na realidade de Jaime, a “dor de cabeça” (ba dum tss) de Oberyn… Peças soltas que se ligaram harmoniosamente. Contudo, devido ao formato escolhido e ao enredo da história, algumas personagens não têm o aprofundamento que mereciam. O enredo é tão extenso que parece que não sabemos nada sobre os protagonistas. Mas penso que ninguém está preocupado com isso… afinal, ainda só estamos no final da quarta temporada!

Houve personagens que ganharam (ainda mais) o nosso respeito (vénia para Tyrion; excepcional papel de Peter Dinklage que transformou o pequeno anão num verdadeiro gigante de palmo e meio), outras que nos surpreenderam (Jaime, Sansa, e o próprio The Hound) e personagens que ficarão para sempre nas nossas cabeças (Oberyn, claro está). Porém, outras perderam a sua aura. Refiro-me, em concreto, à Daenerys que se tornou numa personagem chata (perdoem-me a expressão) ao longo desta temporada e que nada acrescentou à história. Mas volto a repetir que ainda só estamos no final da quarta temporada.

As “duplas” da série são, a meu ver, um dos grandes trunfos porque fazem com que a história se torne mais versátil e imprevisível. Duplas como Arya e The Hound ou Sansa e Lord Baelish deram profundidade à história. Já nas temporadas anteriores assistimos a este fenómeno, com Jaime e Brienne, por exemplo, e a evolução deu-se com esta última temporada.

Pontos culminantes

Se me perguntarem o que me faz gostar de Game of Thrones, a minha resposta será muito simples: a imprevisibilidade dos episódios.

Todos já assistimos a muitas séries, umas melhores que outras, mas tenho a certeza que nunca vimos uma série com cenas tão mindblowing como em Game of Thrones, especialmente nesta quarta temporada (tudo começou, como se lembram, com o The Red Wedding). Recordo-me especialmente de três episódios desta última temporada: The Lion and the Rose que resultou inesperadamente na morte de Joffrey (pensava eu que teria um papel importante no desenrolar da história e acaba por morrer… no segundo episódio da temporada!); The Mountain and The Viper que se tornou o episódio mais épico de toda a série, até ao momento, mesmo para quem já conhecia o desfecho; e The Children que, em jeito de finale, dá a ponte para a quinta temporada com a fugida do Tyrion e a ida da Arya para Braavos.

got4_review_03

The Watchers on the Wall, o penúltimo episódio da temporada, surpreendeu, também, os fãs da série porque foi o primeiro episódio que não se desdobrou em histórias e centrou-se num único espaço e num núcleo específico de personagens, o que nos leva a crer que a Muralha e o bando de Jon Snow terão uma maior importância já na próxima temporada.

Os episódios referidos são apenas os exemplos mais sonantes da quarto temporada e aqueles que, a meu ver, se destacaram mais, uma vez que todos eles, em geral, tiveram um desfecho forte, marcante e imprevisível, a fazer lembrar os jelly beans mágicos do Harry Potter cujo sabor só se sabia depois de os meter na boca.

Até 2015!

Game of Thrones tornou-se um fenómeno global, a par de séries como Sopranos ou Rome, curiosamente, todas elas produzidas pela HBO. Conquistou público de temporada em temporada, fortalecendo a história e não deixando que as pessoas se prendessem a uma única storyline. Tornou-se, também, a série mais pirateada da web e tirou o trono aos Sopranos no número de visualizações.

Esta quarta temporada assumiu um lado arrojado, e saiu-se muito bem, mesmo não sendo 100% fiel às histórias dos livros de R.R. Martin. Introduziram-se novas cenas e novas personagens, e ligaram-se os pontos soltos das temporadas anteriores. Os episódios foram passando, e passando, e passando (nunca mais é domingo!) até que chagámos ao fim. Costuma dizer-se que “quem corre por gosto, não se cansa”. Ora, atrevo-me a dizer que “quem vê o Game of Thrones por gosto, não se cansa” e talvez seja esta a razão principal de estarmos perante este fenómeno fantástico.

got4_review_04

A HBO tem pela frente um grande desafio até 2015 pois superar uma temporada tão boa como esta é obra de mestre, ao mesmo tempo que introduz novos enredos na história sem quebrar os anteriores. Mais pontas soltas só complicariam e estagnariam a história por completo. Até que ponto não serão necessários mais episódios para suprir algumas falhas, como o pouco aclaramento de algumas personagens? Será difícil, no presente formato, tornar a próxima temporada melhor que esta que findou.

Não nos esqueçamos, também, que a velocidade de escrita de R.R Martin (já agora: alguém lhe pode oferecer um PC mais recente? É que trabalhar com o MS-DOS já é um bocadinho obsoleto…percebo a cena hipster, mas mesmo assim…) fará com que a série acabe em meados de 2017 se não publicar o próximo volume em breve, o que seria um grande desgosto para todos nós.

Cabe-nos esperar, com muita saudade, até 2015, por novos episódios e desejar que a qualidade da quinta temporada seja tão épica como foi esta quarta e que se faça magia por muitos anos, pois tenho a certeza que o Game of Thrones será épico até ao último episódio. Afinal, we know nothing

Previous Windows 9 esperado até ao final do ano, com foco no desktop
Next Beyoncé é a celebridade mais poderosa do Mundo, diz a Forbes