As pessoas poderosas têm uma percepção diferente do tempo


Um estudo recente da Universidade da Califórnia dá conta de uma perspectiva curiosa em relação às pessoas com poder. Diz-nos que quanto mais poder uma pessoa tem, maior é a sensação de tempo livre na sua vida. Ou seja, as pessoas poderosas têm uma percepção do tempo diferente.

Os investigadores juntaram centenas de pessoas, e atribuíram a umas o papel de patrão e a outras o de empregado. Os patrões tinham de decidir que puzzles os funcionários iriam resolver e como seria feita a divisão do prémio, neste caso, doces. No final, todos preencheram um inquérito sobre as suas percepções de disponibilidade de tempo.

A conclusão foi de que os patrões, ou seja, quem tinha o poder, sentiam uma abundância de tempo. Isto porque o sentimento dos chefes em controlar vários aspectos dava-lhes uma sensação de tempo – o que está de acordo com estudos anteriores que analisaram as relações entre poder e percepção.

Um estudo de 2009, da mesma Universidade, descobriu que as pessoas poderosas cuja sorte, na experiência realizada, dependia de uma jogada de dados favorável, frequentemente, preferiam ser elas a lançar os dados do que pedir a outras pessoas que os lançassem por elas – até certo ponto, sentiram que o resultado estava nas suas mãos. Um outro estudo, publicado em 2010, sugere que as pessoas no poder tendem a subestimar quanto tempo uma tarefa vai demorar a ficar pronta.

A investigação agora realizada concluiu ainda que o aumento da percepção do tempo disponível leva a que os poderosos sejam, em geral, menos stressados. Do lado oposto, as pessoas que não têm poder sentem a pressão do tempo a passar. Mais: estas pessoas com menos poder, incluindo económico, logo com menos tempo, tendem a tomar decisões piores, o que só perpetua a sua condição.

A falta de pressão não é a única razão que leva a que os mais poderosos tenham mais hipóteses de conseguir resultados financeiros mais favoráveis. Um outro estudo, este da Universidade do Sul da Califórnia, descobriu que os sentimentos de poder levam os poderosos a tomar decisões de longo prazo mais favoráveis. Quando encaradas com a possibilidade de receber 100 dólares agora ou 150 daqui a um ano, as pessoas com poder subestimaram a diferença de 50 dólares, só porque estava demasiado longe no horizonte.

Muitas vezes é vantajoso adiar a gratificação, e, de acordo com o estudo, é o que muitas pessoas poderosas fazem, porque elas estão mais conscientes das suas necessidades no futuro. Por essa razão, elas também são mais propensas a poupar dinheiro, talvez porque conseguem facilmente prever que ainda estarão numa posição estável no futuro.

Como escreveu a jornalista Maria Konnikova no The New York Times, que tantas vezes se vê sem tempo para cumprir todas as tarefas que lhe pedem no jornal, “as exigências do momento suplantam as exigências do futuro, tornando o futuro mais difícil de alcançar”.