A (re)volta dos Libertines


Faltavam alguns minutos para o início do concerto. No palco, uma tela enorme com a imagem que deu capa a Up The Bracket, o primeiro álbum dos londrinos, começou a subir para servir de fundo à actuação. Ao mesmo tempo, ouvíamos as músicas dos dois álbuns da banda, prontas a complementar as imagens e os pequenos vídeos que passavam pelos ecrãs.

Viam-se imagens do metro de Londres, de concertos antigos, de paisagens tipicamente britânicas e fotografias de murais onde podíamos ver várias passagens escritas das músicas de Pete Doherty e companhia. A nostalgia, inevitável num concerto de uma banda que se separou há pouco menos de dez anos, tinha chegado e o imaginário à volta dos Libertines passou a estar presente. Previa-se algo memorável.

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O concerto começou e Pete Doherty, Carl Barat, John Hassall e Gary Powell encontravam-se em palco exactamente como antigamente. “Delaney” abriu a setlist e à quarta música, “Time For Heroes”, os coros vindos da parte da plateia – que apesar de intensa não se apresentava perto dos números dos dias anteriores – juntaram-se às vozes dos dois vocalistas. Estava estabelecida a ligação entre a banda e o público.

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O concerto prosseguiu e a celebração foi feita em conjunto com os fãs. As guitarras distorcidas e despreocupadas, a bateria quase punk e o baixo assertivo, a mostrar que John Hassall é uma peça fundamental na formação e na consistência da banda, deram espaço à poesia presente nas letras. “Music When The Lights Go Out”, “What Katie Did” e “Can’t Stand Me Now” – provas da genialidade das letras da dupla Pete Doherty e Carl Barat – foram cantadas em conjunto com o público e foram alguns dos pontos fortes do concerto.

Quase a chegar ao encore, “Don’t Look Back Into The Sun”, aquele que é, provavelmente, o maior êxito da banda, provocou na plateia uma explosão de “la, la, la’s” que acompanharam efusivamente a melodia do riff de guitarra. Os banhos de cerveja, o suor, as maminhas à mostra para os boys in the band e os saltos do público materializaram tudo aquilo que os Libertines representam.

A atitude punk, a indisciplina e o amor estiveram presentes numa festa onde o público inglês presente – em grande número, diga-se – teve um papel fundamental. “Don’t Look Back Into The Sun”, single lançado em 2003, provou mais uma vez ser o hino indie britânico por excelência dos anos 2000 e um dos clássicos que deu início à geração de bandas dessa mesma década.

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Num encore que demorou a chegar, ouviu-se “What Became Of The Likely Lads”,“Up The Bracket”, “What A Waster” – o momento mais punk da noite, com direito a mosh à altura – e “I Get Along”. Mesmo após as várias despedidas da banda, a vontade de ficar puxou Pete Doherty de volta ao palco trazendo consigo os restantes membros da banda para tocar “The Ha Ha Wall”, que acabou com Carl Barat às costas do baterista Gary Powell, guitarras a voar e microfones deitados ao chão.

Após as várias vénias de despedidas, tão genuínas e sinceras quanto o resto da actuação, fica a prova de que esta reunião – que teria feito mais sentido num concerto em nome próprio – fazia muita falta.

A esperança de um novo concerto em solo nacional volta a ser tão grande como a que tínhamos antes desta reunião ter sido confirmada, há uns meses atrás.

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(fotos: NOS Alive)