Lentes de contacto que deixam ver no escuro?


Lentes de contacto com visão nocturna parece-nos, à primeira vista, algo saído de um filme de ficção científica, mas investigadores acreditam que, um dia, conseguiremos ver na escuridão recorrendo somente às lentes de contacto e aos nossos olhos.

Engenheiros da Universidade do Michigan descreveram num artigo da Nature Nanotechnology como conseguiram criar um sistema que permite detectar as radiações infra-vermelhas (abaixo da radiação visível no espectro electro-magnético, e impossíveis de serem captadas pelas células da nossa retina). Este sistema baseia-se numa dupla camada extremamente fina, feita de grafeno, um composto cristalino de carbono, que pode ser incorporado em objectos normais como por exemplo umas simples lentes de contacto.

O material em questão, o grafeno, já há algum tempo que era estudado para este fim, uma vez que absorve radiação num espectro largo desde os infra-vermelhos, passando pela radiação visível, até aos ultra-violetas. Contudo, esses fotodetectores não eram de todo satisfatórios, uma vez que a potência de absorção de uma camada de grafeno era bastante inferior àquilo que seria desejável para se obter uma imagem com qualidade.

No artigo publicado no mês passado, os investigadores Theodore Norris e Zhaohui Zhong expõe uma nova abordagem, baseada numa dupla camada de grafeno sob a qual corre uma corrente eléctrica. Assim, a radiação infra-vermelha estimularia os electrões da camada superior, provocando uma corrente eléctrica entre as duas camadas, prolongando a conductância do material e aumentando qualitativamente as imagens obtidas.

Se esta tecnologia for aperfeiçoada e introduzida em aparelhos como lentes de contacto ou dispositivos electrónicos como por exemplo os recentes Google Glass, poder-se-ia literalmente ver no escuro e, como disse Zhaohui Zhang, “conseguir uma nova forma de interargirmos com o nosso ambiente”. Apesar de as bases estarem lançadas, e de a tecnologia estar a ser aperfeiçoada, não devemos esperar nada do género no mercado, pelo menos para já. A sensibilidade tem que ser melhorada e há ainda que perceber até que ponto se consegue ter um produto eficaz fora do laboratório.

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