A Apple e a Tesla conversaram, mas não houve negócio


A semana do Facebook e do WhatsApp foi também a semana da Apple e da Tesla. Mas se o primeiro negócio acabou por acontecer, o segundo apenas ficou-se pelas palavras. A verdade é que um reunião entre a Apple e a Tesla aconteceu mesmo e resta perceber se uma compra da segunda pela primeira será uma realidade no futuro.

Enquanto a Apple dispensa apresentações, pois está presente no dia-a-dia de muitos de nós, seja com o iPhone, iPad ou Macintosh, ou o já menos vendido iPod, a Tesla é uma fabricante de automóveis eléctricos e está um passo à frente de toda a concorrência, e isso faz dela uma das grandes marcas do momento. A Tesla foi fundada em 2003 e tem como cara forte Elon Musk, que está para a empresa aquilo que Jobs estava para a Apple.

Nas várias publicações pelo mundo fora foi escrito, ao longo da semana, que a Apple poderia estar mesmo em conversas preliminares para adquirir a construtora de carros elétricos. Para isso a empresa da maçã “apenas” precisaria de desembolsar 25 mil milhões de dólares, um valor que poderia facilmente comportar, uma vez que tem em caixa qualquer coisa como 160 mil milhões de dólares. Mas será que esta aquisição faria sentido?

É fácil de constatar que a Apple está a estagnar e a precisar de entrar em novos mercados, mercados esses que tenham um potencial de crescimento relevante. Aliado a isto, sabe-se que isso era um dos desejos de Steve Jobs (apesar da morte do mesmo, as suas ideias estão ainda bem vincadas na empresa).

Por sua vez, a Telsa tem tido um crescimento muito sólido, tanto nas vendas dos seus dois modelos – Roadster e Model S – como nas suas acções. A fabricante prepara a entrega do Model X, com as reservas apenas a poderem ser feitas para o ano que vem, o que pressupõe que as reservas até ao final do ano estejam esgotadas.

No que toca à bolsa, a empresa valorizou em cerca de 500% em apenas um ano, o que leva a uma enorme satisfação dos investidores. A Tesla conseguiu mesmo o maior valor já dado, no Consumers Report, a um carro, garantindo ainda novos tipos de financiamento para a compra dos seus carros.

Elon Musk confirmou publicamente a reunião com a Apple.
Elon Musk confirmou publicamente a reunião com a Apple.

Convém ainda realçar que a Tesla se prepara para ser pioneira num carro com autonomia de condução, e sim, isto significa mesmo um carro que se conduz a ele próprio. O homem forte da Tesla, Elon Musk, admitiu que não pretende concorrer com a Google, que há muitos anos que anunciou estar a trabalhar para criar um carro automático. Porém, o objectivo é criar o primeiro “piloto automático”, que à semelhança dos aviões, permite colocar o carro em modo autónomo, devendo ser sempre controlado por um condutor. O prazo para o lançamento do carro com essa tecnologia está em cerca de 10 anos.

Musk admitiu a realização de um reunião com Adrian Perica, executivo da Apple responsável por Aquisições e Fusões. Apesar de ser uma aquisição pouco provável, suscita a qualquer entusiasta uma certa emoção quanto à possível compra.

No último CES, falou-se de carros equipados com Android, pelo que leva as já antigas pretensões da Apple em levar o iOS aos carros serem quase uma necessidade. Para iniciar essa extensão ao mercado automóvel, que melhor carro existe do que o Tesla? Não só seria vantajoso para a Apple como para a construtora, visto que a Tesla precisa de um software muito bem conseguido para garantir a manutenção de todo o sistema elétrico. Musk já ponderou utilizar o Android, mas afirmou que “era cedo na curta vida do sistema operativo”.

Já imaginaram se esta compra realmente acontece? Um Tesla com o sistema operativo da Apple? A marca da maçã entrar no mercado automóvel? Quão revolucionário poderia ser? Musk poderia mesmo ser o novo Steve Jobs. Já imaginaram em vez de termos um software que não dá jeito nenhum a conduzir, termos algo moderno e com uma user experience de elevada qualidade?

Ao fim ao cabo, tudo isto não passam de sonhos e a aquisição tem muito pouca probabilidade de acontecer. Ainda assim as marcas podem estar a colaborar para criar algo inovador e fala-se da construção de uma Gigafactory, pela Tesla, para a criação de baterias.

Quanto ao final de tudo isto, só podemos esperar para ver e sonhar com algo revolucionário e realmente diferenciador. Seja no mercado automóvel, seja no das baterias. A cereja no topo do bolo seria mesmo a aquisição concretizar-se.