O que acontece nos escritórios do Netflix quando uma nova temporada de House Of Cards é lançada?


Na última sexta, 14 de Fevereiro, à meia-noite em ponto, o Netflix colocou cá fora todos os 13 episódios da muito aguardada segunda temporada de House Of Cards. Obviamente que este foi um acontecimento importantíssimo para a empresa, que esteve reunida numa War Room para acompanhar tudo em tempo real.

Na noite de 13 para 14 de Fevereiro, duas dezenas de funcionários do Netflix estiveram reunidos numa War Room, isto é, uma sala de conferências nos escritórios norte-americanos que foi equipada com uma grande mesa no meio, um ecrã gigante e uma série de tablets e computadores. O objectivo? Assegurar de que o lançamento de mais uma temporada do muito premiado House Of Cards corria bem, monitorizar em tempo real a audiência da série e ainda festejar o feito.

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A temporada 2 de House Of Cards foi lançada às zero horas do dia 14 de Fevereiro em todo o Mundo – ou melhor, nos 41 países onde o serviço está presente. Se já se diz por aí que o Netflix é responsável por cerca de um terço do tráfego downstream dos EUA, imagine-se então a dimensão do serviço num dia em que milhões de pessoas aguardam, em pulgas, os próximos capítulos daquela que já foi colocada na lista das melhores séries de sempre.

A contagem decrescente foi feita num ecrã gigante. Na gigante mesa, aguardava-se que o relógio passasse a zeros. “Quando o relógio chegar às 24 horas, a primeira coisa que faremos é olhar para o nosso dashboard para ver se alguém já está a ver a série”, explicou Jeremy Edberg, do Netflix, ao site Marketplace. Se ninguém o fizer, é porque algo está mal. Felizmente correu tudo bem e a equipa pode festejar e abrir o champanhe.

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Ao longo das próximas horas, as duas dezenas de funcionários dividiram-se em múltiplas tarefas. Uns asseguraram-se de que o Netflix estava online e a funcionar sem problemas em todos as plataformas (“iPad? Check. Android? Check. Website? Check. Nintendo Wii? Check.”), e em todos os mercados (“Brazil? It’s Ok. Mexico? It’s Ok. Europe? It’s Ok.”).

Na verdade, ao contrário da televisão tradicional, o Netflix não só está online em diferentes aparelhos (computadores, tablets, smartphones, consolas, televisões…), como usa diferentes aparelhos para ficar online. É um sistema complexo e automático, em que se uma parte falha, está lá outra (backups, redundâncias…) para a substituir, mantendo o serviço sempre activo para o consumidor final.

Outros preocuparam-se com a audiência da série. O Netflix consegue saber tudo, mesmo tudo. Ele tem acesso aos números exactos, em tempo real, de quantas pessoas estão ligadas ao House Of Cards, através de que plataforma estão ligadas e ainda se decidiram ver os 13 episódios seguidos. A primeira temporada de House Of Cards tinha cerca de 13 horas no total. “Existiu uma pessoa que demorou apenas mais 3 minutos para além das 13 horas de conteúdo. Basicamente foram 3 minutos de intervalo em mais ou menos 13 horas”, contou Edberg.

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“Monitorizamos tudo aquilo que tu vês e quantas vezes vês as coisas”, acrescentou Edberg. O Netflix usa esses dados para decidir que séries e filmes comprar para o catálogo do serviço. O House Of Cards foi obviamente uma grande aposta da empresa, mas uma aposta mais que ganha, em parte devido ao modelo de negócio da mesma. O Netflix não solta um episódio por semana, mas sim os 13 episódios de uma só vez. São os espectadores que decidem como querem ver a série.

A precisão das estatísticas que o Netflix recolhe dos utilizadores é uma enorme mais valia relativamente a concorrentes. O maior deles é a HBO, que não é um serviço de streaming, mas sim um canal de cabo. Segue, por isso, o modelo tradicional de televisão, estando preso a GRPs e outros dados old school, que são tudo menos exactos.