O Blackphone é o telemóvel para aqueles que querem privacidade


Este é o Blackphone e está aqui, no MWC 2014. É um smartphone que coloca a privacidade em primeiro lugar, dando total poder de controlo aos utilizadores. O BlackPhone – que nasceu no clima de insegurança protagonizado pela NSA – corre uma versão adaptada do Android básico, a que os fabricantes apelidaram de PrivatOS.

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O Blackphone é o resultado da colaboração de uma série de empresas. O hardware foi fabricado pela empresa espanhola Geekphone e é bastante interessante até: um processador quad-core SoC de 2 GHz, um ecrã HD IPS de 4,7 polegadas (desconhecemos a resolução), LTE, Bluetooth 4.0, câmara traseira de 8 megapixels com flash, câmara frontal, 2 GB de RAM e 16 GB de armazenamento. O Blackphone é basicamente um Android banal, com tudo aquilo que em geral queremos num telemóvel ao nível do Android.

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Já o software foi desenvolvido por outra empresa, a Silent Circle, que tem um vasto portefólio na segurança e na encriptação. O Blackphone tem o chamado stock Android, isto é, aquele Android que encontramos num Nexus 5 ou num Nexus 7, por exemplo. O Android é conhecido por não ser o OS mais seguro (por vezes, nem o iOS o é), pelo que a Silent Circle e a Geekphone fizeram-lhe algumas adaptações. O resultado é um sistema operativo com mais definições de privacidade e segurança, a que os fabricantes apelidaram de PrivatOS.

O Blackphone tem uma série de apps que permitem controlar a informação à qual as apps têm acesso, a ligação Wi-fi ou o acesso Bluetooth, por exemplo. Na verdade, através do utilitário, BPSecurity, conseguimos impedir que determinada app aceda a determinada info do telemóvel, por exemplo, à localização ou aos contactos. Não temos de eliminar a app por inteiro só porque não queremos que ela leia a localização ou os contactos.

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Também é possível definir para o Blackphone se conectar apenas à rede Wi-fi de casa e do trabalho. Com um telemóvel normal, se não queremos que ele automaticamente se ligue a uma rede Wi-fi à qual já tenhamos acedido antes (por exemplo, a de um café ou a de um hot-shop da rua) quando estamos na rua, temos de desligar o Wi-fi ao sair de casa e voltar a ligá-lo ao chegar ao emprego. O Blackphone vem resolver isto, permitindo-nos escolher quais as redes às quais queremos que ele se conecte. A mesma lógica funciona para o Bluetooth.

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O Blackphone incluir ainda um conjunto de apps da suite Silent Circle, que está disponível para qualquer iPhone ou Android. No entanto, no Blackphone, as apps são gratuitas por 2 anos, findos os quais custam 10 dólares por mês. Uma dessas apps é o Silent Contacts, na qual podemos guardar contactos de forma segura (esta app coexiste com a app nativa de contactos; é como que um cofre para os contactos mais importantes/secretos).

Também existe o Silent Text e o Silent Dial, duas apps que permitem, respectivamente, trocar mensagens e realizar chamadas. Essas mensagens e chamadas ficam encriptadas no Blackphone, mas é preciso que o destinatário tenha o Silent Circle instalado para as receber encriptadas também. Só assim se consegue o nível mais elevado de segurança. Com a compra do Blackphone, temos direito a 3 subscrições extras Silent Circle de 1 ano para dar aos amigos, aos colega e aos familiares para conversarmos com eles e eles connosco no nível de maior segurança.

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Este é outro aspecto interessante do Blackphone: somos nós que definimos a segurança com que queremos comunicar. Existem certas chamadas (por exemplo, para pedir uma pizza ou ligar à avó) que não precisam de ser totalmente seguras, enquanto que outras (por exemplo, de trabalho) em que a exigência já é outra. O Blackphone deixa-nos definir o nível de privacidade que queremos, temos todo o controlo.

O Blackphone vem ainda com 2 anos de SpiderOak, que nos dá 5 GB de armazenamento encriptado de dados, e com 2 anos de Disconect, um serviço de pesquisa que utiliza VPN para anonimonizar a pesquisa em motores de busca como o Google, o Yahoo ou o Bing.

O Blackphone pode não ser o telemóvel mais seguro, pois 100% de segurança é capaz de ser algo utópico, mas pelo que vimos parece ser o telemóvel adequado para quem a privilegia. No fundo, o Blackphone coloca a privacidade nas mãos dos utilizadores. Pena é o preço, que será de 629 dólares quando chegar ao mercado lá mais para adiante (as pré-reservas, contudo, já começaram).