10 anos de Facebook: a distância já não quebra amizades


O Facebook foi a primeira rede social a conquistar o título de maior do Mundo, e até agora a única. Gostemos ou não dele, o Facebook existe há 10 anos e faz hoje, mais do que nunca, parte da nossa vida.

Ao longo de 10 anos, o Facebook alterou a forma como nos relacionamos, como conhecemos pessoas, como alimentamos amizades. Mudou a forma como trabalhamos, a forma como consumimos notícias, vídeos, música e memes, a forma como nos mobilizamos enquanto comunidade, e a forma de resolvermos problemas.

O Facebook tornou-se um dos endereços mais procurados e visitados da Internet, uma visita diárias obrigatória. Passou também a estar connosco, nos bolsos, através dos smartphones.

Começou na universidade

De conectar uma universidade a conectar o Mundo

A 4 de Fevereiro de 2004, Mark Zuckerberg e os co-fundadores Dustin Moskovitz, Chris Hughes e Eduardo Saverin lançaram o Facebook na Universidade de Harvard. Em Dezembro desse ano, a rede já tinha 1 milhão de utilizadores, todos eles dos EUA.

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No ano seguinte, o Facebook foi aberto a todas as universidades do Mundo e começou a suportar fotos. Em Abril de 2006, a rede social chegou aos telemóveis. Em Setembro desse mesmo ano, o Facebook introduziu o News Feed e foi oficialmente aberto a todas pessoas (deixou de ser exclusivo para universitários).

Em 2007, apareceram os anúncios e as páginas. Em 2008, foi lançada a app para iPhone e introduzido o chat. O botão de Like só nasceu em Fevereiro de 2009. Em 2010, o Facebook já tinha mais de 500 milhões de utilizadores; a partir daqui, a coisa tornou-se ainda mais séria. No ano seguinte, Zuckerberg unificou as mensagens e o char, lançou a Timeline e introduziu apps de terceiras com protocolo Open Graph (Spotify, Foursquare, Soundcloud, Netflix…)

Em 2012, o Facebook comprou o Instagram, entrou em bolsa e atingiu os mil milhões de utilizadores. Foi a primeira rede social a conseguir tal feito. Em 2013, foi introduzido o Graph Search, o Home e um novo Messenger. Foi ainda testado um novo News Feed.

Hoje, 4 de Fevereiro de 2004, o Facebook faz 10 anos. Tem 1,23 mil milhões de utilizadores, 945 milhões dos quais acedem à rede social em smartphones e tablets. 81% do total de utilizadores activos diariamente no Facebook são de fora dos EUA e do Canadá.

Desde o nascimento do Facebook, já foram feitas 201,6 mil milhões de conexões na rede social. 7,8 triliões de mensagens foram enviadas desde o início de 2012, 77,2 mil milhões de posts com localização foram feitos desde o início deste ano e 400 mil milhões de fotos foram partilhadas desde Outubro de 2005.

Por dia, são feitos mais de 6 mil milhões de Likes. No Facebook existem 25 milhões de pequenos negócios. O Facebook, esse, tem 6 337 empregados no total global.

O Facebook aproxima as pessoas

A distância já não quebra amizades.

O Facebook aproxima-nos. (Aliás, se fosse o contrário, o termo “rede social” estaria mal aplicado). No Facebook encontramos pessoas cujo rasto já havíamos perdido, mantemos o contacto com antigos colegas, conversamos com os amigos actuais e conhecemos pessoas com as quais partilhamos os mesmos interesses.

O Facebook revolucionou por completo a comunicação humana. E se soubermos usar bem esta ferramenta, conseguimos ser mais felizes e mais humanos (o paradoxo não deixa de ser interessante). Todos os dias converso com pessoas que não vejo há algum tempo, seja porque alguns quilómetros nos separam, seja porque as casualidades da vida não levam a um encontro físico. Todos os dias interajo com pessoas com quem nunca estive pessoalmente, só porque gosto do que dizem e do que partilham.

Conheci pessoas no Facebook e tornei-me amigo delas fora dele. Conheci pessoas fora do Facebook e depois criei laços com elas dentro dele. O Facebook não está a fazer pessoas socializarem menos, como os Niltons dizem. Antes pelo contrário.

O Facebook permite-me conhecer melhor os meus amigos. E muito do conhecimento que recolho sobre eles na rede social são iniciadores de conversa em cafés, em corredores e em saídas à noite. Sei que filmes os amigos meus viram, que músicas ouvem; sei quais são as ideologias e crenças políticas, económicas e sociais deles; sei onde foram e com quem foram… E não sei isto tudo por roubou ou furto, sei porque eles simplesmente partilham esses dados.

Claro que existem certamente casos extremos, caso em que as pessoas se isolam atrás do ecrã, mas mas um mau uso de uma ferramenta não faz dela má. Este isolamento não é uma regra, nem tão pouco tem expressividade (quero eu acreditar).

Mais 10 anos pela frente

Em 2013, o Facebook teve receitas de 5,6 mil milhões de euros. Subiram 55%.

A popularidade e o desempenho financeiro do Facebook mostram que este tem pelo menos mais uma década pela frente. Cada vez mais estamos no Facebook e a tendência é para estarmos nele cada vez mais horas, principalmente com a acessão do móvel. Ao termos o Facebook disperso por várias apps, estamos a usá-lo mesmo que não nos apercebamos disso. O Messenger, o Instagram e o Paper são dois exemplos. Também os botões de Like e Share espalhados por toda a web, nos mais variados sites, mantém o Facebook presente.

O estar online também não é pecado nenhum. Enquanto trabalho, é comum eu ter o Facebook (e o Twitter, já agora) sempre abertos. Não só porque ele faz parte do meu trabalho, mas também porque é uma forma de distração e de acompanhar o que se passa no Mundo (a todo o instante pode surgir algo).

Pode falar-se em cansaço ou em abandono da rede social por parte dos mais novos. Todavia, tal não é a tendência global. Aliás, os números do último trimestre não revelam qualquer quebra. Verdade seja dita que se existe alguma redução de tempo dos adolescentes no Facebook, tal acontece por estes terem acesso a novos canais como o Snapchat ou o Twitter; não implica necessariamente uma redução da importância.

O Facebook tem um grande trunfo do seu lado: todos os nossos amigos estão lá. E isto cria um monopólio. Para o Facebook deixar de ter importância, é preciso que todos esses amigos se movam para outra rede. Pode ser feito um paralelismo rápido com a Vodafone: esta operadora é líder no mercado jovem, por simplesmente ter consigo em tempos agarrá-lo; agora pode fazer o que bem entender, que dificilmente esses jovem abandonam a operadora, dado que para tal acontecer teria de existir uma revolução em massa (todos os contactos de um jovem comum são 91 e falam grátis entre eles).

Mesmo que exista uma saturação, por parte dos mais novos ou dos mais velhos, estes acabam por ficar presos ao Facebook pois têm nele uma rede de contactos que não têm em mais lado nenhum. Nem tão pouco nos telemóveis. Uma fartura existe sempre. Mas tal resolve-se com moderação.

O Facebook não foi a primeira rede social a aparecer. Na história, ficam esquecidos o Hi5 ou o MySpace, por exemplo. Apesar de o conceito base ser teoricamente o mesmo, o Facebook foi um aperfeiçoamento do que já existia tal que conseguiu vingar. No Hi5, por exemplo, não existiam mensagens, nem uma app para os telemóveis. O MySpace, por seu lado, manteve-se sempre muito parado.

O futuro do Facebook passa essencialmente pelo mobile e pelo foco em pequenos nichos, agregados a uma rede maior, que é o www.facebook.com.

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