O que esperar do CES 2014?


Aí está ele! A edição 2014 do Consumer Electronic Show (ou, simplesmente, CES) arranca já dia 7 e só termina a 10 de Janeiro. Durante 3 dias, gigantes como a Sony, a Samsung e a LG, e outras marcas não tão gigantes, prometem mostrar o que de mais incrível há no mercado de tecnologia, naquela que é maior feira do Mundo do sector.

Ainda não será desta que o Shifter estará presencialmente no CES 2014 (quem sabe para o ano…), mas mesmo em Lisboa procuraremos contar-te tudo sobre a maior feira de tecnologia e inovação do Mundo. Começamos por te dizer aquilo que esperamos da edição.

Do 4K aos wearables, sem esquecer os smart cars, o gaming e, claro, os smartphones e tablets, as expectativas sobre o CES 2014 são enormes.

As televisões 4K com ecrãs enormes e curvos

O 4K foi um dos protagonistas do CES 2013, mas, um ano depois, está mais maduro e promete ser novamente cabeça de cartaz. A Sony, a Samsung, a LG e outros preparam-se para apresentar televisões Ultra HD com ecrãs enormes e curvos.

Aliás, a LG já disse que no CES 2014 mostrará a sua nova UHD TV de 105 polegadas, que apelidou de “a maior TV curva de sempre”. Com uma resolução de 5120 x 2160 (11 milhões de pixeis no total), o ecrã – que a LG quer vender com o nome CinemaScope – utiliza um aspect ratio de 21:9, ideal para filmes “esticados na horizontal”.

Todavia, o 21:9 é capaz de se relevar inútil para o consumidor comum, uma vez que os canais e programas de televisão ainda se estão adaptar ao 16:9.

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Entretanto, a Samsung também já fez saber que revelará uma UHD TV igual à da LG, com as mesmas 105 polegadas, os mesmos 5120 x 2160 e o mesmo 21:9. No entanto, a fabricante sul-coreana auto-intitula-a de “a primeira, a maior e a mais curva televisão UHD TV de 105 polegadas do Mundo”.

Outra televisão que veremos no CES 2014 pertence de igual forma à Samsung e é mesmo a maior do Mundo. Com um ecrã plano de 110 polegadas, é a maior televisão UHD TV de sempre. Tem 2,6 metros de comprimento e 1,8 metros de altura, e começará a ser comercializada na Europa, na China e no Médio Oriente ainda este ano.

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O 4K está, ainda assim, longe do grande público. As televisões são caras e vistas ainda como um produto de luxo. No entanto, é expectável que os preços desçam ao longo deste ano, de forma a levar o sucessor do HD a mais consumidores. Ainda assim, a Polaroid – sim, aquela marca que é sinónimo de fotos instantâneas – irá revelar no CES 2014 uma TV 4K de 50 polegadas, que custa apenas 1 000 dólares. Hoje em dia, o logo da Polaroid pode ser encontrado em tablets Android, câmaras de vídeo, headphones, máquinas fotográficas e também televisões (a marca já tem alguns LEDs no portefólio).

O 4K no Netflix

Outro dos entraves ao 4K (para além do preço) é a falta de conteúdo. Todavia, o Netflix está a trabalhar para resolver este problema. A empresa já confirmou que o streaming de filmes e séries 4K estará disponível em algumas UHD Smart TVs em 2014, sem ser necessário hardware extra. Um dos conteúdos a ser disponibilizado com tremenda qualidade será a segunda temporada de House Of Cards.

O streaming 4K ficará disponível logo que começarem a ser comercializadas as televisões UHD preparadas para Netflix, a serem anunciadas no CES. Tal deverá acontecer em meados da primavera. No CES 2014, veremos algumas fabricantes a anunciarem UHD TVs preparadas para receber os conteúdos 4K do Netflix, como a nova temporada de House Of Cards.

Também o YouTube está a trabalhar nisto do streaming de vídeo 4K através do video codec VP9 da Google. Este codec faz com que o stream de vídeos em HD seja feito a uma velocidade superior ao mesmo tempo que reduz a largura de banda necessária. Este é um campo no qual o Netflix também terá de trabalhar, uma vez que o 4K – por ser mais “pesado” – implica uma Internet estável.

Enquanto o Netflix está preocupado com o grande ecrã, o YouTube parece estar mais focado nos computadores, tablets e smartphones, devendo ser nestes dispositivos que focará o seu demo.

O webOS da LG

A LG vai lançar neste CES o seu concorrente ao Smart Hub da Samsung. Chama-se webOS. O primeiro produto a correr este software será uma televisão com um processador dual-core 2.2GHz e 1.5GB of RAM. Segundo os rumores, apps como o YouTube, o Facebook, o Skype e o Twitter marcarão presença neste webOS.

O webOS começou como um sistema operativo para smartphones e tablets. Era usado pela Palm e pela HP. A LG comprou-o há um ano e transformou-o num sistema operativo para televisões.

A sul-coreana já está no mundo das Smart TVs com um outro software, intitulado Netcast, mas que não parece ser muito intuitivo e simples para os utilizadores. O webOS espera resolver o problema e fazer com que quem tenha uma televisão da LG utilize o software nativo desta e não recorra a produtos de terceiros, como a Apple TV ou o Chromecast.

Carros autónomos e carros eléctricos

As fabricantes automóveis acreditam todas numa coisa: o próximo paradigma do mundo das quatro rodas é a condução autónoma. Por outras palavras: carros que não precisam de condutor, que se mexem sozinhos. E todas estas fabricantes (vá, quase todas) estão a trabalhar para que a condução autónoma se torne segura e prática para os carros reais em situações reais. Em 2013 vimos demonstrações incríveis da Audi e da Lexus no CES. Na próxima semana, contamos ver avanços neste campo.

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Estando a ecologia na ordem do dia, são esperadas novidades alternativas de combustível associadas à tecnologia. A Ford mostrará o seu C-Max Solar Energi, um carro conceptual cuja bateria eléctrica pode ser carregada através da tradicional tomada ou, em alternativa, a partir de um painel solar instalado no tejadilho. A Ford diz que um dia de exposição ao sol deverá traduzir-se em 8 KW de energia, o equivalente a quatro horas de carga da bateria na tomada elétrica. E com a combinação das duas fontes de alimentação, o C-Max Solar Energy conseguirá uma autonomia de quase mil quilómetros.

iOS e Android no sector automóvel

Ainda assim, a verdade é que não iremos comprar carros autónomos tão cedo. Os chamados connected cars são bem mais reais e estão ao alcance do consumidor comum. No CES 2014, esperamos ver novas soluções de integração dos smartphones nos veículos de quatro rodas.

No ano passado, a Apple anunciou o iOS In The Car, uma versão do iOS para equipar os dashboards dos carros, integrando-os com o iPhone ou o iPad, que ainda não está disponível. Navegar através do Maps e ouvir música através do iTunes Radio são duas grandes promessas deste iOS In The Car. Outra delas é a Siri. Através desta, será possível atender ou rejeitar chamadas com a voz, ou até receber mensagens. A Siri lê-nos a mensagem e podemos usar a voz para responder a essa mensagem. A BMW, a Mercedes, a General Motors e a Honda já têm parceria com a Apple para o desenvolvimento desta tecnologia. Teremos novidades do iOS In The Car no CES 2014?

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Entretanto, rumores dizem que a Google e a Audi se preparam para anunciar uma parceria que levará o sistema operativo Android até aos automóveis da fabricante alemã. O software seria aplicado num sistema de informação e de entretenimento que alguns modelos de veículos podem vir suportar, passando o serviços como o Google Maps, o Google Play, o Google Play Music e o YouTube a funcionar sob 4 rodas. De acordo com o The Wall Street Journal existem mais empresas envolvidas, como a Nvidia, para que o Android se possa tornar também uma parte integrante do sector automóvel. Recentemente, a Audi também anunciou a implementação de tecnologia 4G em alguns dos seus veículos.

Casas mais inteligentes: Samsung Smart Home

Há décadas que se sonha com uma casa inteligente e autónoma, mas só recentemente os fabricantes parecem estar a tornar esses sonhos realidade. Este ano, no CES, esperamos ver novidades quanto a conectar a casa à web, criando novas formas de interacção com ela, principalmente quando estamos na rua.

A Samsung irá anunciar o Smart Home, um serviço para controlar e gerir os aparelhos da casa (televisões, smartphones, tablets, frigoríficos, máquinas de lavar a loiça…) através de uma plataforma única e integrada. No fundo, a ideia é colocar tudo o que temos dentro de casa interligado debaixo de um mesmo tecto, o Smart Home. Assim, será possível, por exemplo, desligar o ar condicionado ou ligar as luzes do quarto através do Galaxy S4, de uma Smart TV ou até do relógio Gear. O serviço suportará comandos de voz: bastará dizer “vou sair” ao Gear ou “boa noite” à Smart TV para as luzes da casa se desligarem.

O Samsung Smart Home será anunciado no CES 2014 e chegará ao mercado na primeira metade do ano. Numa primeira fase, a tecnologia funcionará apenas com alguns produtos Samsung, mas a intenção futura é estendê-la a mais produtos da marca e a produtos de outras marcas.

Também a LG se prepara para fazer anúncios na área das casas inteligentes. A fabricante irá introduzir uma máquina de lavar, um aspirador, um forno e um frigorífico controláveis através da popular app de messaging Line.

Wearables, tablets, smartphones, computadores e T-Mobile

O CES 2014 terá muito mais: smart watches, óculos de realidade aumentada, pulseiras inteligentes, tablets, computadores que mais parecem tablets, computadores e smartphones poderão ser algumas das categorias de produto com algumas notícias, apesar de não serem o foco da feira. A Samsung, por exemplo, poderá apresentar um tablet de 12 polegadas desenhado especificamente para apps de produtividade (os Offices e os Photohops). Quanto a telemóveis, talvez a Sony – e até mesmo a Samsung – apresente alguma coisa.

A operadora norte-americana T-Mobile na voz do seu CEO John Legere revelará neste CES a quarta fase da iniciativa Uncarrier. A promessa é bem clara: “agitar a indústria wireless”. Ainda assim, não se sabe no que consistirá este Uncarrier 4.0, mas os rumores dizem que envolverá planos familiares de comunicações e não só. Ao que parece a T-Mobile está disposta a pagar suportar todos os custos que os clientes de outras operadoras tenham no cancelamento antecipado do contracto com estas.

A LG, por seu lado, apresentará o Chromebase, um computador de secretária com Chrome OS. Com um ecrã 1080p IPS de 21.5 polegadas, um processador Intel Celeron e 2 GB de memória, o Chromebase permite armazenar até 16 GB em ficheiros.

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