É impossível fazer zapping ao Bob Dylan


O “Like A Rolling Stone”, um original de 1965 de Bob Dylan, tem pela primeira vez um vídeo. Trata-se de uma experiência interactiva, que coloca o espectador a fazer zapping entre uma série de canais televisivos e encontrar em todos os eles a música de Dylan.

Na mesma altura em que Pharrell Williams lança o videoclip interactivo de 24 horas para “Happy”, o estúdio nova-iorquino Interlude, fundado pelo músico israelita Yoni Bloch, apresenta um vídeo interactivo para aquela que é considerada a melhor música de todos os tempos para a revista Rolling Stone. “Like A Rolling Stone”, de Bob Dylan, recebe assim, praticamente 50 anos depois de ter sido lançada, o primeiro videoclip oficial.

O videoclip funciona como uma espécie de televisão interactiva: o espectador pode alternar, utilizando as teclas do teclado do computador, entre 16 diferentes canais, passando, por exemplo, pela BBC News, por desenhos animados para crianças, por reality shows, ou mesmo por um canal desportivo onde está a dar um jogo de ténis. E há uma particularidade: em todos estes canais, todas as pessoas que aparecem estão a cantar a música. Por mais zapping que façamos, é impossível escapar a “Like A Rolling Stone”.

“How does it feel?”, pergunta-nos Bob Dylan ao cantar “Like A Rolling Stone” e perguntam-nos também os criadores do vídeo. Bizarro, no mínimo. É bizarro termos a habilidade de fazer zapping por entre 16 canais e neles encontrarmos personalidades como Drew Carey, do The Price is Right, Marc Maron, ou mesmo o próprio Bob Dylan, com os lábios perfeitamente sincronizados com a música, a cantar todas as palavras do sucesso de 1965.

“I’m using the medium of television to look back right at us. You’re flipping yourself to death with switching channels [in real life]”, são as palavras da realizadora Vania Heymann que critica o modo como hoje em dia se vê televisão, e que nos passa a mensagem através de uma experiência divertida, estranha e improvável.

Um trabalho genial e obrigatório, cujo lançamento coincide com o lançamento de The Complete Album Collection Vol. 1, que incluí 35 álbuns oficiais, 6 álbuns ao vivo, e 2 álbuns de material raro. Esta iniciativa vem mais uma vez comprovar a contemporaneadade de Bob Dylan e acaba também por servir de tributo a uma música que soa tão actual hoje como à 48 anos atrás.