Biohacker implanta sensor no interior do próprio braço


O Circadia 1.0 é um sensor subcutâneo que transmite dados biométricos para aparelhos com sistema operativo Android. Tim Cannon, biohacker de Pittsburgo, decidiu testá-lo no próprio braço. Se chegar ao mercado, o preço do aparelho rondará os 500 dólares.

O biohackers ultrapassar os limitações da evolução e trabalham à margem da medicina convencional, combinando a tecnologia com o corpo humano. “Quero viver mil anos, não quero morrer e não entendo por que alguém havia de querer”, explica o biohacker Tim Cannon, da empresa especializada em biohacking Grindhouse Wetware, sediada na cidade alemã Essen.

A ideia não é simplesmente inserir aparelhos dentro do corpo para melhorar a performance deste, mas sim transpor os limites da biologia, tentando alterar a evolução natural importa por esta. Para o bem e para o mal, o hacking faz parte da nossa sociedade há já algum tempo, principalmente aplicado à informática. Mas o hacking subiu recentemente para um nível totalmente novo, o biológico, e poderemos estar a caminhar para um futuro de seres vivos tecnologicamente melhorados.

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Cannon olha para o corpo humano como algo imperfeito, com falhas em muitos aspectos. Para o biohacker, a tecnologia definir as capacidades de corpo e aumentar a esperança de vida. O Circadia 1.0 é um exemplo dessa mesma tecnologia. Cannon decidiu implantar este sensor subcutâneo no braço esquerdo, sob uma tatuagem que tinha. Fê-lo sem o apoio de cirurgiões ou anestesistas, uma vez que estes não podem implantar um aparelho não autorizado pelas entidades médicas. A operação foi, por isso, levada a cabo por um grupo de entusiastas de modificações corporais.

Nesta primeira versão, o Circadia consegue recolher a temperatura do corpo de Cannon e transferir esse dado em tempo real via Bluetooth para um smartphone ou tablet com sistema operativo Android. O objectivo futuro é que o Circadia, cuja bateria é recarregada sem fios, permita que o utilizador saiba tudo o que se passa com o corpo, através da recolha de informação biométrica e do envio desta periodicamente para um aparelho Android.

Para Tim Cannon, faz sentido que o ambiente em nosso redor se adapte ao nosso corpo. “Se, por exemplo, eu tiver um dia stressante, o Circadia vai comunicar com a minha casa e preparar uma atmosfera agradável e relaxante para quando eu chegar: diminuir a luz ou preparar um banho quente”, explica. Basicamente Cannon quer integrar o seu corpo no universo quantificado e conectado em que já vivemos.

Os três LEDs incorporados no Circadia permitem ver os avisos e mensagens do sensor na própria pele, e no caso de Cannon também podem ser controlados para iluminarem a tatuagem. No fundo, o Circadia consegue agregar semanas e meses de informação média e guardá-la num smartphone ou tablet para consulta pessoal, o que pode certamente dispensar muitas visitas ao médico.

O Circadia 1.0, desenvolvido pela empresa Grindhouse Wetware (na qual Tim Cannon trabalha), é apelidado pela própria de DIY cyborg, isto é, um cyborg “do-it-yourself” (um cyborg é um organismo cibernético). Ao contrário de computadores que se podem usar e aparelhos que gravam dados biométricos, como o Fitbit ou a Fuelband, o Circadia é um aparelho subcutâneo open-source, que permite ao utilizador o controlo total de como as informações são recolhidas e usadas.

Praticamente tudo é personalizável no circadia, incluindo os sensores e as luzes. Cada utilizador decide o que é que quer que funcione no seu aparelho. Uma futura versão do aparelho será capaz de medir o ritmo cardíaco e terá uma dimensão mais reduzida, facilitando a sua implementação. Não é conhecida ainda uma data para o lançamento do Circadia 1.0 no mercado; sabe-se, porém, que o preço rondará os 500 dólares, qualquer coisa como 373 euros.