Android Kit Kat é o Android para “todos”


O Android 4.4 Kit Kat, revelado na última semana pela Google, é o primeiro Android concebido para funcionar quer nos telemóveis topo-de-gama (como o Nexus 5), quer naqueles com especificações técnicas significativamente inferiores (com apenas 512 MB de RAM).

Em 2011, a Google unificou as versões para smartphone e para tablet do Android com o lançamento do Android 4.0 Ice Cream Sandwich. Dois anos depois, é a vez de criar um Android para todos os orçamentos, isto é, um Android que corra quer nos smartphones topo-de-gama (o Samsung Galaxy S4, o HTC One ou o Nexus 5, entre muitos outros, que têm 1 ou 2 GB de memória RAM), quer naqueles com especificações inferiores (isto é, por exemplo, com apenas 512 MB de RAM). O Android 4.4 Kit Kat é (ou pretende ser), no fundo, o Android para todos.

De facto, o Kit Kat faz uma gestão mais eficiente da memória do telefone, usando apenas a que é necessária para o sistema correr rapida e fluidamente. As apps da Google usam menos memória e toda a interface adapta-se automaticamente a aparelhos com pouca memória RAM. Com os novos APIs e ferramentas disponibilizadas, os programadores conseguem criar mais ágeis e eficientes ao nível da memória.

Tudo isto é um grande passo para a Google e para o seu sistema operativo móvel. O lançamento de um Android para todos é uma tentativa de minimizar a fragmentação, que durante anos e anos foi um problema. Ao estar preparado para qualquer tipo de telemóvel, independentemente das especificações, o Kit Kat procura reduzir ainda mais a quota de mercado do Gingerbread (de 2010) e do o Ice Cream Sandwich (de 2011), ganhando expressão junto do Jelly Bean. Embora não possa impor nada, a Google quer certamente ver o Kit Kat omnipresente nos smartphones lançados em 2014.

A Google já domina o mercado móvel. Aliás, o Android é, de longe, o OS mobile mais utilizado no Mundo. Segundo dados do 3º trimestre de 2013, o Android tem uma quota de mercado de 81,3‰. A Apple, por seu lado, chega a apenas 13,4% com o iOS (Windows Phone = 4,1% e BlackBerry = 1,0%). A estratégia da Google passa agora por dominar com uma versão única do seu Android OS, a 4.4.

Com o Android 4.4, a Google, para além de um sistema operativo open source, passa a ter uma plataforma capaz de competir com o Firefox OS, um sistema operativo criado pela Mozilla para smartphones low-cost, ou com o Windows Phone, que está a ser empurrado pela Microsoft para níveis de preços mais baixos.

A Google não está propriamente preocupada com quem fabrica o smartphone que mantém as pessoas fora dos Lumias e dentro do Android; ela apenas quer ter pessoas na sua plataforma a usar os seus serviços. Provavelmente a Google não se importaria de oferecer gratuitamente smartphones e tablets às pessoas se todas elas, utilizando-os, gerassem tráfego para os seus servidores.

Ainda assim, o motivo pelo qual a Google perde tempo a desenvolver aparelhos Nexus (o 5 é o mais recente) é o mesmo pelo qual a Microsoft tem uma linha de tablets própria, o Surface: nenhuma das duas empresas está satisfeita com a qualidade e o preço oferecidos pelos parceiros de hardware. A verdade é que estas duas empresas têm um modelo de negócio diferente do da Apple: não fabricam o hardware e desenvolvem o software para esse hardware; criam, sim, o software e uma série de parceiros comercializam o hardware.

A pergunta que se coloca: conseguirá a Google fazê-lo? Na verdade, o seu Galaxy Nexus, de 2011, não será actualizado com esta nova versão, nem tão pouco o Nexus S, de 2010.