Um olhar sobre a fragmentação do Android: quase 50% dos aparelhos têm Jelly Bean


A fragmentação foi, desde cedo, um dos pontos negativos apontados ao Android, mas aparentemente a Google tem estado a empenhada em eliminá-lo. Segundo dados da própria, quase metade dos aparelhos Android corre o Jelly Bean, a versão mais recente do sistema operativo.

O Android 4.1 está instalado em 36,5% do total de aparelhos, o 4.2 soma uma percentagem de 10,6% e o 4.3 tem uma representação de 1,5%. Tudo somado, o Jelly Bean existe em 48,6% de todos os smartphones e tablets Android. Quanto às versões mais antigas, o Gingerbread (2.3) está instalado em 28,5% dos aparelhos, o Ice Cream Sandwich (4.0) em 20,6%, o Froyo (2.2) em 2.2% e o Honeycomb (3.1 e 3.2) em 0,1%.

chart_androidshare

Ainda assim, notamos que o Jelly Bean mais recente, o 4:3, tem uma presença muito reduzida. Também o 4.2 está pouco massificado, predominando o 4.1. E mesmo o 4.0 (Ice Scream Sandwich) aparece razoavelmente posicionado. Significa isto que apesar de o Jelly Bean ser o mais usado de todos os Androids, a versão antiga (isto é, a a 4.1) ainda é aquela que domina. E há que não esquecer que está aí à porta o Android 4.4 Kit Kat.

Em Julho passado, o Jelly Bean (4.1, 4.2 e 4.3) ultrapassou pela primeira vez o Gingebread (2.3), que deixou de ser o mais utilizado. O primeiro tinha uma quota de 37,7% e o segundo uma de 23,3%.

O problema da fragmentação

A fragmentação foi desde muito cedo um problema do Android, mas a Google parece estar fazer um bom trabalho para o resolver.

O Jelly Bean é, por agora, o Android mais recente e também o mais utilizado. E isso são boas notícias para os utilizadores, para os programadores e para a própria Google. As actualizações ao sistemas operativos trazem quase sempre novas oportunidades para os programadores, permitindo-lhes criar melhores apps, que tirem partido das capacidades dessa mesma actualização. Contudo, é essencial que uma grande fatia de pessoas a utilize.

A Apple encontrou, desde início, o modelo perfeito: sai uma nova versão do iOS, praticamente todos a instalam nos seus iPhones e iPads, e os programadores começam a optimizar as suas apps para esse novo iOS pois ele massificou-se. Veja-se o caso mais recente: apenas 24 horas após o lançamento público do iOS 7, o número de dispositivos com essa versão já era maior que o de dispositivos com iOS 6. Em suma: sai nova actualização do sistema operativo, uma fatia significativa de utilizadores instala-a, e os programadores desenvolvem apps que tirem partido dos novos recursos.

Se a Google conseguir massificar dessa forma as actualizações do Android, beneficia os programadores, que conseguem potenciar as suas apps com os recurso mais recentes, e beneficia os utilizadores, que usufruem da melhor experiência possível nos seus smartphones e tablets. E, por seu lado, a Google atrai novas pessoas para a sua plataforma móvel e fideliza as actuais.

Mas por que motivo acontece esta fragmentação no Android? Por que motivo não consegue a Google adoptar o modelo de actualizações da Apple? A resposta é simples: não é a Google a actualizar directamente o Android nos aparelhos; as novas actualizações passam primeiro pelo fabricante e/ou pela operadora. Não há aquela coisa de a uma hora X de um dia Y todos os smartphones e tablets compatíveis receberem o Android Z.

Na verdade, o Android é um sistema operativo aberto, que cada fabricante adapta consoante o seu posicionamento e a sua estratégia de diferenciação. O Android vendido pela Samsung é diferente do comercializado pela HTC, pela Sony ou pela LG, por exemplo. Todas estas fabricantes adicionam uma camada por cima do Android nativo criado pelos engenheiros da Google, alterando o design e adicionando novas funcionalidades. Assim, sempre que sai uma nova versão do Android nativo, a Samsung, a Sony, a HTC e a LG têm primeiro de a adaptar antes de darem aos seus consumidores.

Ainda assim, para quem gosta da experiência nativa do Android, sem camadas por cima, e quer ter sempre a versão mais recente existem os Nexus, smartphones ou tablets fabricados por terceiros (LG, Asus, etc.) para a Google e vendidos na Google Play Store. Estes aparelhos recebem as actualizações do Android mal elas fiquem disponíveis (quer dizer, as operadoras metem um entrave, pois estas actualizações passam por elas e algumas podem demorar mais tempo a disponibilizá-las).

Recentemente a Google tem procurado expandir a mecânica dos Nexus a mais aparelhos. Começou a vender na Google Play Store edições especiais de dois topo de gama do mercado, o Samsung Galaxy S4 e o HTC One. Estas edições não têm o Android da Samsung, nem o da HTC; trazem o Android nativo e, à semelhança dos Nexus, recebem as actualizações sem grandes demoras.

Tudo isto, a par de um esforço junto dos fabricantes e das operadoras para acelerar o processo de actualizações, está a ajudar a Google a levar as versões mais recentes do seu sistema operativo móvel a cada vez mais gente.