Snapchat introduz perfis: chamam-se Stories


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Os utilizadores do Snapchat já podem ter uma espécie de perfil. Trata-se de um perfil diferente do das outras redes sociais: é dinâmico e efêmero, tal como todo o restante Snapchat. Estes perfis chamam-se Stories e são conjuntos de snaps que não têm mais do que 24 horas.

Se neste momento tivéssemos de dizer qual será a ‘próxima grande coisa’ (isto em inglês soa melhor: ‘the next big thing’) do social media, a nossa resposta seria sem grandes inseguranças esta: Snapchat.

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O Snapchat não é uma simples e divertida app para estar em contacto com os amigos. É um novo tipo de comunicação digital, uma nova categoria de social media, onde os nossos estados, chats, fotos e vídeos não duram para sempre.

Quando apareceu, o Snapchat criou uma nova categoria, a de social media efêmero. O Snapchat (que funciona unicamente no mobile) é aquela app com um ícone amarelo e um fantasma branco no meio, que permite trocar entre amigos fotos e vídeos que se auto-destróiem depois de abertos.

Não se sabe quantos utilizadores tem esta rede social diferente de todas as outras, mas sabe-se que diariamente são partilhados mais de 350 milhões de snaps (fotos/vídeos) por dia. Para termos um meio comparativo, por dia, o Instagram recebe 55 milhões de fotos/vídeos, isto é, um sétimo do tráfego do Snapchat. E o Facebook com mais de mil milhões de utilizadores lida diariamente com o mesmo número de fotos/vídeos (350 milhões) que uma plataforma cujo número de utilizadores não deve chegar sequer aos 500 milhões.

Na última semana, o Snapchat passou a oferecer aos seus utilizadores perfis. Chamam-se Stories e tal como toda a restante plataforma são efêmeros. Para criarem a sua Story, os utilizadores só têm de adicionar snaps a ela. As Stories não têm mais do que 1 dia, isto é: o último snap dentro de uma Story tem no máximo 24 anos. No fundo, quando adicionamos um snap a uma Story, este desaparece passadas 24 horas, deixando espaço para novos snaps.

E aqui estão o dinamismo e a efêmeridade associados a estes perfis do Snapchat: as Stories nunca terminam e estão sempre a mudar; o fim da Story hoje é o início dela amanhã. Uma Story é uma compilação de snaps que conta uma história de 1 dia sobre um determinado amigo. Esses snaps podem ser vistos vezes sem contas, isto é, ao contrário dos snaps “normais” simplesmente não desaparecem segundos depois de abertos.

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As Stories dos nossos amigos estão acessíveis através do separador “My Friends” (isto faz-nos lembrar os primeiros dias do Facebook, em que para sabermos novidades dos nossos amigos tínhamos de visitar o seu perfil). Os amigos que tenham uma Story aparecem com um pequeno círculo junto ao nome. Só temos de clicar esse círculo e manter o ecrã pressionado enquanto vermos um stream contínuo dos snaps da Story; caso algum snap não nos interesse, podemos facilmente saltar para o seguinte clicando no ecrã uma vez.

As Stories são uma forma muito interessante para sabermos aquilo que os nossos amigos estão a fazer. Ao contrário dos restantes social media, as Stories são mostradas na ordem cronológica, à medida que elas aconteceram. Não existe nenhum algoritmo a determinar o que é mais importante e o que é menos importante. São duas definições de privacidade para as Stories (aka perfis): só amigos (as pessoas que estão na nossa lista do Snapchat, acessível através do separador “My Friends”); ou público (para todos os utilizadores).

Agora quando tiramos um snap, temos duas opções para o partilhar: enviá-lo a um amigo ou grupo de amigos como sempre fizemos, ou adicioná-lo à nossa Story.

Agora quando temos um minuto livre no nosso dia e estamos curiosos sobre o que é que os nossos amigos estão a fazer, podemos ir directamente ao Snapchat, não passando nem pelo Instagram, nem pelo Facebook, nem pelo Twitter.

As Stories respondem a um dos grandes pedidos dos utilizadores: a possibilidade de enviar um snap a toda a lista de amigos de uma só vez. A equipa do Snapchat preferiu optar pela passividade do Stories que por um botão “Enviar para Todos”, que destruiria o DNA da plataforma, ao permitir uma foto ou um vídeo para todas as pessoas conhecidas de forma quase intrusiva.

O Snapchat pode no futuro permitir a criação de Stories de grupo, isto é, várias pessoas adicionam snaps a uma mesma história. Stories que contém conteúdo de várias pessoas.

Snapchat versus ‘os outros’

O Snapchat não tem muito em comum com o Facebook, mas com o Stories a “pequena” empresa está a dar os primeiros passos para competir com dois dos produtos mais importantes da maior rede social do Mundo: o News Feed e a Timeline. Na verdade, o “My Friends” do Snapchat é agora mais que uma lista de amigos; é uma lista de perfis, através dos quais podemos saber o que os nossos amigos estão a fazer.

No Snapchat não existe aquela pressão para compor uma narrativa online, que respeite uma certa identidade criada por nós. Isso é para os Facebooks, os Twitters e os Pinterests deste Mundo, no quais os perfis são estáticos. E isso pode ser bastante desconfortável. Além de que esta coisa de publicar na Internet e de o que publicamos ter um carácter quase que permanente é chata.

As Snapchat Stories operam no sentido oposto: são perfis dinâmico, de bolso (porque estão apenas no smartphone), que não duram mais do que 24 horas. A liberdade é outra: podemos partilhar sem “medos”, pois não corremos o risco de determinada coisa não se encaixar nosso contexto online.

Possibilidades para marcas e figuras públicas

Por um lado, as Stories valorizam o Snapchat aos olhos dos seus utilizadores, e preservam a essência efêrmere deste. Por outro, elas podem transformar uma start-up num negócio mais viável a longo prazo. No fundo, as Stories permitem criar narrativas no Snapchat, dando às marcas novas oportunidades em termos de campanhas de marketing, de ofertas e de anúncios.

Algumas marcas já estão a usar o Snapchat para, por exemplo, distribuir cupões que expiram quase instantaneamente. O relógio de 24 horas nas Stories abrem um novo leque de possibilidades para as marcas, especialmente devido à opção de partilha pública.

Uma timeline é um componente chave de qualquer app que quer transformar actividade social em oportunidades de marketing que gerem lucro – pelo menos até agora. O Facebook, o Twitter e o Instagram, por exemplo, permitem que os utilizadores e marcas publiquem conteúdo que preenche um feed. No Snapchat a coisa funciona de forma ligeiramente diferente, dado que é preciso abrir a Story para aceder ao conteúdo (não existe um feed). Mas isto pode ser uma oportunidade para as marcas, dado que elas não têm de lutar por captar a atenção dos seus fãs com fotos de gatos ou de bebés. Mas, claro, é simultaneamente um desafio, dado que há que motivar para que as pessoas abram a Story de uma marca (naturalmente, não o iriam fazer).

As Stories têm, ainda assim, um potencial enorme. Imaginemos figuras públicas a abrirem as suas Stories a toda a gente (dado que estas têm duas definições de privacidade: só amigos ou público). Se o fizerem, podemos facilmente seguir o que elas têm feito nas últimas 24 horas. Em que social media actual se consegue este tipo de interacção, por exemplo?

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