Os músicos que não gostam do Spotify


Já foram vários os artistas que criticaram os serviços de streaming, como o Spotify. Thom Yorke, dos Radiohead, Patrick Carney, o baterista dos The Black Keys, e David Byrne, que liderou os Talking Heads nos anos 1990, são algumas das vozes que surgiram recentemente em público contra o streaming.

Em Julho passado, Thom Yorke dos Radiohead gerou polémica quando ordenou que se retirasse do Spotify o seu albúm a solo e o dos Atoms for Peace. Yorke afirmou, na altura, que o serviço não era rentável para os músicos “que não recebem dinheiro nenhum” e que a direcção do Spotify apenas se preocupava com os accionistas. Apesar das músicas dos Radiohead continuarem disponíveis no Spotify, o músico escreveu no seu Twitter: “Não quero fazer parte disto”, dizendo ainda que o serviço “não valoriza a música nova.”

Com as vendas físicas a cair, o streaming apareceu como alternativa e, de acordo com números recentes, parece estar a resultar. Desde 2008, ano de lançamento do Spotify, já foram pagos 500 milhões de dólares (aproximadamente 382 milhões de euros) em direitos de autor. O pagamento é feito aos músicos em função de cada música que é ouvida e do tipo de serviço subscrito, gratuito ou pago. Cada stream vale menos de um cêntimo, ou seja, mais audições significam mais receitas.  Significa que os novos artistas necessitariam de ser ouvidos milhares de vezes para alcançarem proveitos, e é isto que Yorke critica.

Na altura, o Spotify fez saber em comunicado que uma das missões da empresa passa pela promoção de novos talentos. “Queremos fazer um serviço de música de qualidade que as pessoas gostem e com o qual se identifiquem, que eventualmente possam pagar para usufruir e que possa servir de suporte financeiro à indústria da música para investir em novos talentos.” Daniel Ek, CEO do Spotify, acrescentou também que grande parte da quantia angariada “está a ser aplicada na promoção e produção de novos talentos e novas músicas”.

Depois de nomes como os The Black Keys ou Aimee Mann também terem criticado os serviços de streaming, no início do mês, David Byrne retomou a discussão. O ex-Talking Heads, autor do livro How Music Works (2012) e um expert nas transformações da indústria da música, publicou no passado dia 11 de Outubro, no The Guardian, um texto com argumentos idênticos aos de Thom Yorke. Escreveu que serviços como o Spotify podem servir as grandes editoras, os consumidores e os artistas já instituídos. Mas o problema são os emergentes.

Na visão de Byrne, o Spotify e serviços idênticos não são modelos de futuro e acabam por paralisar a cena musical, em vez de contribuírem para a sua verdadeira dinamização. “No futuro se os artistas dependerem exclusivamente das receitas geradas por esses serviços ficarão sem trabalho rapidamente”, escreve.

Os anúncios de revolta que têm vindo a público nos últimos meses centram-se todos no mesmo: na evolução dos artistas emergentes, os que ainda não têm o seu lugar estabelecido no mercado. Sobre os que ainda não podem sobreviver exclusivamente de concertos e licenciamentos, Byrne diz que o sustento não passa pelos serviços de streaming e pelo modelo de negocio dos mesmos.

Yorke abriu a discussão e o caminho para outros artistas de questionar o funcionamento do Spotify. Afinal o streaming é ou não um caminho viável para os músicos e para o futuro indústria musical?

 

 

 

 

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