Com 350 milhões de snaps por dia, Snapchat quer começar a fazer dinheiro


Por dia, 350 milhões de fotos e vídeos são trocados através do Snapchat, uma plataforma que tem atraído um número cada vez maior de pessoas. No Techcrunch Disrupt, que decorreu em São Francisco entre 7 e 11 de Setembro, Evan Spiegel, co-fundador e CEO do Snapchat, falou dos planos futuros da empresa e de como ela pretende começar a gerar lucro.

“Eu hoje mandei um snap à minha mãe (…) estamos-nos a expandir em todas as faixas etárias. Eu vejo inclusive miúdos de seis anos a mandarem snaps enquanto esperam no aeroporto”. As palavras de Evan Spiegel, co-fundador e CEO do Snapchat, no  ilustram bem o crescimento da sua plataforma. Se, em Outubro do ano passado, por ela passavam apenas 20 milhões de snaps por dia e se, em Junho deste ano, o número diário de snaps estava já 200 milhões, hoje 350 milhões de fotos e vídeos são trocados através da app, que é especialmente popular entre os jovens. Spiegel afirma que grande parte deste tráfego é proveniente do sistema operativo móvel Android (curiosamente).

O Snapchat – que já foi Editor’s Choice da App Store – continua, ainda assim, sem gerar lucros directos. Em Junho passado, a empresa organizou uma angariação de fundos, na qual obteve uns incríveis 60 milhões de dólares. Dinheiro, esse ,que foi usado para renovar o data center e para contratar novos engenheiros. Spiegel espera que até à próxima angariação de fundos o Snapchat se torne lucrativo.

No inicio, a estratégia da empresa passava por compras integradas na app, como o faz a chinesa Tencent. “Analisámos o exemplo da Tencent, que obtém a maior parte dos seus lucros através de compras integradas. Para isso, tiveram de criar conteúdo que os utilizadores quisessem comprar. O que é uma tarefa assustadora, criar conteúdo que as pessoas queiram”, diz Spiegel. A solução deverá, antes, passar pela criação de um feed e pela colocação de anúncios nele.

Um feed no Snapchat?

O Snapchat não tem um feed neste momento, mas Evan Spiegel e a sua equipa têm andado a pensar na implementação de um. “O feed foi provavelmente a melhor invenção nas redes sociais dos últimos anos”,  comentou Spiegel, mostrando algumas reservas quanto aos feeds cronológicos do Instagram ou do Twitter, por exemplo, em que as histórias mais recentes aparecem no topo e as mais antigas em baixo. “O mais interessante num feed é que quanto mais conteúdo consumimos nele, isto é, quantas mais fotos e vídeos vemos, mais nos afastamos temporalmente dos nossos amigos… e isso não nos faz sentir bem.” Resta a dúvida: como será o feed do Snapchat? Certamente algo que preserve o DNA da app: a partilha em tempo real e o conteúdo auto-destrutivo.

“Nós estamos a ir num caminho completamente diferente dos social media tradicionais, pelo que não os vemos como concorrentes directos.”  Numa era onde a necessidade de guardarmos tudo online é constante, o Snapchat apela exactamente ao oposto. Nas palavras do seu criador: “A verdadeira identidade do Snapchat é a efemeridade dos conteúdos, trata-se apenas de partilhar o momento.”

O Snapchat não compete com o Instagram, pois este serve para guardar fotos bonitas e não para partilhar momentos – e, como Spiegel referiu, os dois até se complementam. “Queremos que as pessoas continuem a ter esses espaços para criar e guardar fotos bonitas ou coisas das quais gostam. E quero apoiar o crescimento das empresas que fazem esses espaços”, disse.

Taco Bell e o Snapchat

“As equipas de marketing das grandes empresas vão sempre encontrar maneiras de publicitarem no Snapchat. Eu gostaria de criar um espaço para pessoas com muito talento mas com pouco alcance”, afirmou Spiegel, explicando a posição da empresa no que diz respeito a um novo nível de interacção com os seus utilizadores, sejam eles grandes empresas ou não.

Com anúncios nativos num feed, não só a empresa lucra, como também os utilizadores passam a ter acesso a uma variedade de conteúdos novos, aumentando assim ainda mais os níveis de engagement. O CEO garante que esta é uma preocupação da empresa e que num futuro próximo os “snapchatters” terão novidades.

Um exemplo de como o ecossistema do Snapchat pode ser propicio das empresas é o caso da cadeia de restaurantes fast-food Taco Bell, que decidiu em Maio explorar as potencialidades da app. No dia 1, convidou os seus seguidores do Twitter a adicionarem-na no Snapchat e no dia seguinte enviou a todos os que o fizeram um anúncio especial e exclusivo: o regresso do Beefy Crunch Burrito.

O Taco Bell disse ter ficado surpreendida com a resposta dos fãs no Snapchat. A forma encontrada pela cadeia de anunciar o regresso de um dos produtos mais apreciados pelos fãs, o Beefy Crunch Burrito, foi, sem dúvida, inteligente. Não só o Snapchat é uma plataforma diferente de comunicação, mais divertida, talvez, como permite tratar os consumidor como amigos pessoais, aproximando-os da marca. Esta iniciativa do Taco Bell não contou com qualquer apoio do Snapchat, tendo a cadeia simplesmente concretizado uma campanha interessante com recurso a um ecossistema capaz.

No entanto, a cadeia de fast-food não foi a única a usar o Snapchat para marketing. Em Janeiro, a gelateria nove-iorquina 16 Handles usou esta plataforma para distribuir cupões de desconto auto-destruitivos 10 segundos depois de abertos. A mecânica foi simples: os fãs enviavam uma foto sua a comer um gelado na 16 Handles e recebiam, em troca, um cupão de 16% a 100% de desconto; depois era só trocar esse cupão na caixa da loja (nota: o cupão auto-destruía-se depois de 10 segundos, pelo que a troca tinha de ser muito rápida).