O que acontece no Snapchat fica no Snapchat


Parece coisa de filme de ficção científica, mas não o é. O Snapchat é bem real, funciona em iOS e Android e permite enviar fotos e vídeos que se auto-destroem segundos depois de vistos. O Snapchat é particularmente popular entre os jovens, que trocam através dela mais de 150 milhões de fotos e de vídeos (ou, genericamente, snaps) por dia.

A mecânica é muito simples: tira-se uma foto ou grava-se um vídeo, adiciona-se uma legenda e selecciona-se o destinatário ou destinatários. Até aqui, tudo normal: algo que o WhatsApp ou o Facebook Messenger também fazem. A diferença é que os snaps (isto é, as mensagens do Snapchat) se auto-destroem depois de vistos pelo destinatário. Quem envia define durante quanto tempo quer que o seu snap dure: entre 1 a 10 segundos. Por exemplo, se enviar uma foto a um amigo e definir 5 segundos, esse meu amigo pode ver a minha foto durante 5 segundos; depois ela elimina-se.

É possível enviar snaps a múltiplas pessoas em simultâneo. Aliás, 30% dos snaps são de grupo. contudo, quem recebe um snap não sabe se ele foi enviado só para si ou se para si e para mais meia dúzia de pessoas. No Snapchat a audiência de uma mensagem não é clara: um snap é enviado directamente para um destinatário e esse destinatário não sabe que outros destinatários existiram, se é que existiu algum.

No Snapchat não interessa se ficámos bem na fotografia ou se o vídeo ficou desfocado. Importa o momento e a partilha desse momento com os amigos em tempo real. No fundo, pretende-se uma partilha autêntica, verdadeira, não a partilha das férias extravagantes, dos jantares de sushi ou dos bonitos pôr-do-Sol. Por vezes, um snap pode ser uma piada parva, uma cara estúpida ou um momento ordinário mas divertido do nosso dia-a-dia.

Snapchat: um sucesso junto dos jovens

O Snapchat apareceu a Setembro de 2012 para iPhone. Foi criado por dois amigos de Standford, o Evan Spiegel e o Bobby Murphy. Chegou ao Android nos finais de Outubro, depois de já terem sido partilhados mais de mil milhões de snaps, a um ritmo de 20 milhões de snaps diários. Entretanto, o Snapchat ganhou vídeo; e, por dia, são hoje partilhadas 150 milhões de snaps. A título comparativo, no Instagram circulam diariamente 40 milhões de fotografias. O Snapchat é uma das apps mobile mais populares, principalmente entre o segmento muito jovem (faixa etária: 13-25 anos).

O Snapchat introduziu uma nova categoria de media: o media efêmero, de curta duração, que é construído, consumido e apagado. De facto, tudo aquilo que partilhamos no Facebook, no Twitter ou no Instagram tem um carácter permanente: fica lá, não desaparece (a mesmo que o eliminemos, mas não nos damos ao trabalho de o fazer). As mensagens do Snapchat, por seu lado, são temporárias: existem por apenas alguns segundos e depois desaparecem para sempre. Ao que parece as pessoas gostam de partilhar coisas momentâneas, que se auto-destroem ao fim de alguns segundos.

O Snapchat é descrito como uma plataforma de partilha de fotografias e de vídeos, entrando na categoria de messanging, a mesma do WhatsApps, do Facebook Messenger, do Skype, do Viber e de tantas outras apps. Não é visto como um social media, a par do Facebook, do Twitter e do Instagram. No entanto, ele é ambas as coisas e tem uma diferença relativamente a todas essas plataformas: no Snapchat não existe conversação; existe apenas partilha, isto é, comunicação num único sentido. De facto, no Snapchat não é possível responder a snaps criando uma conversa, uma troca de mensagens.

O Snapchat tem uma outra vantagens, desta vez relativamente apenas às plataformas de social media. A partilha é real, com quem exactamente queremos, de forma muito fácil e intuitiva. Não existem listas como no Facebook, círculos como no Google+ ou público/privado como no Twitter e Instagram. É só escolher que amigos queremos que vejam a nossa foto ou o nosso vídeo, pois no mundo offline não temos assim tantos amigos com quem queiramos partilhar coisas da nossa vida.

Como desaparecem os snaps?

Quando alguém envia um snap, ele é carregado para os servidores do Snapchat, o receptor recebe uma notificação de que tem um novo snap e é descarregada uma cópia da mensagem para o telemóvel dele. O snap, seja ele uma foto ou um vídeo, fica amarzenada numa pasta temporária do telemóvel do receptor até que ele seja aberto. Uma vez aberto, o snap é apagado da memória do telefone. Quanto aos servidores, esse snap só é apagado dos mesmos quando todos os receptores o virem (isto é, quando um snap é aberto por alguém, os servidores são informados disso; quando todos abirem esse snap, os servidores apagam-no). Caso alguém não abra o snap 30 dias depois de ele ter sido enviado, é automaticamente apagado dos servidores.