‘Minimalism’: um documentário sobre as coisas importantes

Um filme que nos ensina a livrarmos-nos daquilo que não é essencial.

“O consumismo não é o problema – o consumo compulsivo é o problema. Todos precisamos de algumas coisas materiais, mas os minimalistas valorizam na verdade mais as suas posses porque apenas têm coisas que dão valor às suas vidas” – Joshua Millburn

Minimalism: A Documentary About The Important Things saiu em Dezembro ainda antes do Natal, e pode dizer-se que veio mesmo a calhar. Sendo a época natalícia muito caracterizada pelo consumismo desenfreado, este documentário assumiu-se não como uma crítica rígida, mas sim como uma outra perspectiva sobre as coisas materiais, sempre com o objetivo de inspirar pessoas.

O conceito é o de um verbo novo que começa a fazer cada vez mais sentido nos dias de hoje: destralhar, a arte de deitar fora (e quem diz deitar fora diz doar ou vender) tudo aquilo que está a mais ou que não nos faz falta. É a partir daqui que começa a história que deu origem ao documentário.

Destralhar foi precisamente aquilo que Ryan Nicodemus, um norte-americano de 35 anos a viver em Ohio, decidiu fazer, quando se apercebeu de que o seu melhor amigo e colega de trabalho, Joshua Millburn, se tinha transformado numa pessoa completamente diferente, quase de um dia para o outro, e vivia diariamente sem stress e incrivelmente bem disposto.

“Fiz o que qualquer bom amigo faria: levei-o a almoçar a um restaurante fino (fomos ao Subway). Enquanto comíamos as nossas sandes, fiz ao Josh uma pergunta: ‘como raio és tão feliz?’. O Josh ficou os 20 minutos seguintes a falar-me sobre uma coisa chamada minimalismo.” – Ryan Nicodemus

Joshua descobriu o minimalismo através de um site. A ideia agradou-lhe. Decidiu explorar o tema. Cerca de 8 meses mais tarde desfez-se de 90% daquilo que era seu. E a verdade é que não só ganhou espaço físico como também espaço emocional. O peso e a preocupação em relação às coisas materiais desapareceu e deu lugar a um estado de pura felicidade, liberdade e preenchimento.

“À medida que deixava as coisas ir, começava a sentir-se mais livre, mais feliz, mais leve. À medida que o ruído exterior desapareceria, também o interior: desordem motivational, desordem mental, stress, ansiedade.”

“Descobrimos que trabalhar 70 a 80 horas por semana para comprar mais coisas não preenchia o vazio – só o alargava: a interminável perseguição de ter mais coisas só nos trazia mais dívida, ansiedade, medo, stress, solidão, culpa, opróbrio, paranóia e depressão.”

Foi assim que Ryan embarcou numa aventura de 21 dias. O resultado é o documentário Minimalism: A Documentary About The Important Things. Na primeira semana esvaziou a casa onde vivia (literalmente) e passou as três semanas seguintes a desempacotar aquilo de que ia precisando (aconselhamos-te mesmo a ler sobre esta experiência do Ryan). Sabes que mais? Depois de três semanas 80% das coisas ainda estavam em caixas, e a verdade é que foi exatamente isso que o fez sentir mais rico. Finalmente arranjou espaço para as coisas importantes.

“Tentei preencher o vazio da mesma maneira que muitas pessoas fazem: com coisas. Um monte de coisas. Estava a preencher o vazio com as compras de consumidor. Comprei novos carros e novos aparelhos electrónicos e armários cheios de roupas caras. Comprei móveis caros e decorações para casa e todos os últimos gadgets. E quando eu não tinha dinheiro suficiente no banco, pagava por refeições caras e rodadas de bebidas e férias frívolas com cartões de crédito. Gastei dinheiro mais rápido do que ganhei – tentando comprar o meu caminho para a felicidade.” – Ryan Nicodemus

O documentário está disponível no Vimeo On Demand por 17,99 euros. No entanto, podes subscrever os podcasts via email sem qualquer custo. Tens cerca de 48 já lançados e sempre que surge um novo, recebes um email com um pequeno resumo do que vai ser abordado. Além disso, o site está cheio de artigos que podem muito bem ser um guia para quem pretende saber mais sobre ou ingressar nesta vida simplista.

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