#SHIFTER2016: os melhores álbuns internacionais


Chegou aquele momento de olhar para os meses que passaram e mergulhar na árdua tarefa de os tentar sintetizar numa lista de 10 itens. Neste caso, a lista de 10 melhores álbuns do ano. Sem a pretensão de eleger os “melhores”ou mais tecnicamente refinados.

Este top representa o que mais gostámos de ouvir neste 2016. É uma selecção que procura a diversidade de géneros e estilos, de Flatbush Zombies a Beyoncé. É que se 2016 foi um ano em que muitos nos deixaram, foi também um ano em que muitas surpresas nasceram.

 

Awaken My Love! – Childish Gambino

Donald Golver apresentou um projecto criado sob a influencia do p-funk dos Parliament Funkadelic. O disco, composto por 11 faixas, apresenta uma optima junção de géneros como o hip hip, o funk, o r&b ou o gospel, tornando-se numa mixórdia de sonoridades mas também de sensações, onde o amor ao próximo se apresenta como o sentimento que melhor espelha a vibe deste disco.

 

3001: A Laced Odyssey – Flatbush Zombies

O trio psicadélico proveniente de Brooklyn continua a sua viagem pelo universo de Stanley Kubrick. O álbum 3001: A Laced Odyssey, numa clara referência ao filme 2001: A Space Odyssey é o projecto mais assertivo e completo do grupo até agoraA química que este trio reúne é um dos factores que mais tem contribuído para a ascensão deste grupo, e enquanto observamos o amadurecimento destes artistas, é também nas suas diferenças que percepcionamos as suas maiores potencialidades.

 

Malibu – Anderson .Paak

Com quase um ano de lançamento do seu primeiro LP Malibu a 15 de Janeiro, Anderson .Paak marcou a sua presença em charts, inúmeras listas de final de ano como Best New Music e a nomeação para os Grammys na categoria de Best Urban Contemporary Album. Com este álbum o rapper e cantor da West Coast, entregou um projecto com uma enfase mais pessoal repleta de colaborações de antigos e novos artistas como ScHoolboy Q, Kaytranada, BJ The Chicago Kid e Talib Kweli, tendo assim liberdade de seguir diferentes caminhos na sua sonoridade.

 

99,9% – Kaytranada

Foi o álbum de estreia do produtor canadiano, sensação do SoundCloud, Kaytranada. Entre um estilo único de produção eletrónica evocando o funk, soul, R&B e a Dance Music, o produtor conseguiu cozinhar na perfeição, condimentando com as suas origens haitianas, uma perfeita combinação sonora onde toda a percussão interliga-se pelo seu estilo único, vibrante e contagiante

 

The Colour In Anything – James Blake

Depois de dois anos de espera, entre 2014 e 2016, o aclamado terceiro álbum do cantor e produtor britânico, James Blake – The Colour in Anything – chegou ao mundo de maneira diferente, deixando muitos sépticos apesar das criticas positivas. Blake transpôs as suas emoções e sentimentos heterogéneos através da sua música na sua ampla e espaçosa forma de criar ambientes sonoros a que nos foi habituado, mas desta vez, a melancolia e tristeza foram vencidas.

 

We Got It From Here… That You 4 Your Service – A Tribe Called Quest

Este álbum apresenta-se como um dos discos mais emblemáticos para a comunidade hip hop, lançados durante o ano de 2016. Apesar do revés sofrido com a morte de Phife em Março, o aguardado regresso do mítico grupo dos anos 1990 aconteceu, num momento de união e de consagração de um dos grupos mais respeitados no meio.

 

Atrocity Exhibition – Danny Brown

Bem-vindos a Atrocity Exhibition, o mundo distópico de Danny Brown. Sem dúvida um dos discos do ano e talvez um dos mais difíceis de digerir, à la Death Grips. Conta com inúmeras influências vindas do rock, como Velvet Underground,White Stripes, St. Vincent, entre outras que de uma forma ou de outra estão presentes no seu melhor trabalho até agora. Danny é um rapper sui generis mas que conseguiu criar um álbum fresco e sem rodeios, trazendo à imagem umas nuances de MF DOOM.

 

A Seat At The Table – Solange

A caçula da Beyoncé maturou e lançou este ano “A Seat at The Table”, mostrando ser uma das maiores promessas da próxima geração da Pop. Como qualquer artista do género, conta com 5 mãos cheias de produtores que levaram à criação deste disco com tendência para fugir para a Soul/R&B. No ano que era suposto pertencer a “Lemonade”, Solange fez o que qualquer irmã mais nova deseja, superar o primogénito.

 

IV – BadBadNotGood

O grupo de hip-hop/jazz mais acarinhado do momento lançou IV, provavelmente o seu disco mais fraco até ao momento. Não queremos com isto dizer que é mau, mas nao seguiu a linha de crescimento dos seus antecessores. muito à base de canções, foge à experimentalismos e mantém-se numa zona de conforto. entretém, não surpreende, mas ainda assim Time Moves Slow faz-nos acreditar que a sua consistência merece um lugar neste top.

 

Lemonade – Beyoncé

Foi um dos álbuns mais vendidos este ano no mundo, consta na maioria das listas de melhores álbuns publicadas até agora, mas por mais que queiramos fugir ao óbvio há coisas que são mais fortes. Porque foi um (incrível) álbum visual, pelo que isso significou culturalmente e para a indústria, pelo poder e conotação política das letras, por ter saído numa altura em que os Estados Unidos precisavam de ouvir a mensagem que Beyoncé grita, Lemonade também foi um dos álbuns do ano para o Shifter.

E porque se o simples facto de se tratar de Beyoncé não é suficiente para muita gente, com Lemonade a Raínha da Pop conseguiu tocar noutros estilos, noutros públicos e ascender “só” a Raínha. Destaque para a óbvia “Formation”, “Hold Up” e “Freedom” com Kendrick Lamar. O álbum não está disponível no Spotify, deixamos-te o vídeo de “Formation”:

A rúbrica #SHIFTER2016 é escrita em colaboração entre vários elementos da equipa e procura reflectir a diversidade de tons, gostos e abordagens que nos caracterizam, sem a pretensão de selecionar o melhor mas sim o mais marcante para a nossa redação.
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