#SHIFTER2016: as surpresas tecnológicas


A tecnologia não dá descanso. Estamos nós a redigir esta lista e as empresas a preparar a CES, a primeira e maior feira do ano, a arranjar logo nos primeiros dias de Janeiro. O ano de 2016 fica marcado pelo novo Instagram, pela bateria explosiva do Note 7, pela aposta da Microsoft e da Google em hardware e, claro, pelo Pokémon Go.

Galaxy Note 7

Foi uma história trágica para a Samsung e um dos maiores escândalos tecnológicos dos últimos tempos. Apresentado no início do Verão e entretanto elogiado pela imprensa, o Samsung Galaxy Note 7 era aguardado por todos aqueles que gostam de ecrãs grandes e que, desde o início, admiram a linha Note da fabricante sul-coreana. O Note 7 começou a chegar às casas dos consumidores no final de Agosto, mas quando tudo parecia estar a correr bem de feição para a empresa, eis que surgem relatos por algumas pessoas de que os seus recém-adquiridos equipamentos começaram a arder.

Numa miscelânea de comunicados e decisões, a Samsung não conseguiu resolver o problema e decidiu parar a produção do telemóvel. Aconselhou ainda os consumidores com um Note 7 a desligá-lo e criou programas de trocas.

Dongle life e USB-C

Em 2016, mais e mais  smartphones começaram a ganhar entradas USB-C. Assim como os computadores. Aquilo que a tecnologia USB-C permite é para nos deixar de boca aberta: um único cabo permite transferir ficheiros, carregar equipamentos e transmitir sinal para um monitor externo. E é um único cabo que é mais ou menos um terço do tamanho do USB a que estamos habituados. É um cabo reversível, pelo que, por exemplo, um computador pode carregar outros gadgets ou ser carregado por eles.

O USB-C vai ser o mainstream nos próximos meses com mais e mais equipamentos compatíveis com estes cabos. Até lá, viveremos numa dongle life: adaptadores para os nossos novos gadgets funcionarem com os nossos antigos acessórios. O MacBook Pro perdeu quase todas as suas portas – para ligar uma pen USB típica, mesmo carregar o novo iPhone 7 ou importar fotos de uma DSLR, é preciso um aparato de adaptadores. O iPhone 7 foi o primeiro telemóvel a ser lançado sem a entrada de 3,5 mm para auscultadores no mundo iOS (no Android foi o Moto Z), passando ser usada a entrada Lightning (a versão Apple do USB-C).

Surface Studio

A Microsoft começou como uma empresa de software. E agora também é uma empresa de hardware. A família Surface, iniciada em 2012 com o primeiro tablet convertível em portátil (de seu nome Surface Pro), viu nascer em 2015 o Surface Book e neste 2016 teve uma nova adição: o Surface Studio.

Quando queremos representar graficamente um PC, o usual é recorrermos a um ícone de um monitor e de uma torre. Mas o Surface Studio, pode ajudar-nos a perder essa imagem antiga e preconceitosa de que o PC é um equipamento monstruoso e feio. O Surface Studio é um computador all-in-on para designers, arquitectos, profissionais da moda e todas as outras pessoas que no seu dia-a-dia usam ferramentas de criatividade como o Photoshop.

Instagram Stories

A aplicação que antes usámos apenas para partilhar fotos e pequenos vídeos num feed ganhou, em 2016, novos contornos. Aliás, este foi um grande ano para o Instagram. A aplicação, que ultrapassou os 600 milhões de utilizadores em Dezembro, tendo ganhado 100 milhões em apenas 6 meses, transformou-se com funcionalidades inspiradas no Snapchat. Com o Stories e o novo Direct, o Instagram passou a poder ser usado para tudo aquilo que antes usávamos a aplicação do fantasma. Os vídeos em directo, o zoom e os perfis profissionais foram outras novidades da aplicação que vai continuar a ser cantinho mais pessoal dos utilizadores do Facebook. O que trará 2017 ao Instagram?

Quase que nos esquecíamos de referir: ainda te lembras do antigo logo do Instagram? E dos tons azuis e cinzentos da app? O novo design do Instagram também foi introduzido neste 2016!

Apple vs FBI

Em Março, uma batalha legal opôs o Governo norte-americano à Apple. O FBI tinha pedido à tecnológica o desbloqueio do iPhone de Syed Rizwan Farook, terrorista abatido em Dezembro após o ataque em San Bernardino. A polícia norte-americana queria prosseguir as suas investigações, a Apple não queria abrir excepções.

O caso foi importante para definir o futuro da privacidade digital e levantou inúmeras questões, não esquecendo a delicadeza do problema. Deve a Apple compactuar com pedidos desta natureza, abrindo um precedente para pedidos futuros que podem, hipoteticamente, sustentar-se em razões menos consistentes do que aquela que justifica esta requisição? Devem as empresas tecnológicas, por outro lado, resistir a exigências como esta de forma a garantir a segurança e privacidade dos seus clientes em situações futuras? Até que ponto empresas tecnológicas devem sair impunes por não acatar ordens judiciais?

Google Pixel

O iPhone sempre sobressaiu no mercado por ser feito pela mesma empresa que faz o sistema operativo que nele corre. Esta estratégia da Apple de criar o hardware e o software em conjunto permite à empresa desenvolver uma sintonia entre as funcionalidades que o telemóvel oferece e as especificações técnicas do mesmo, o que, no final do dia, significa um equipamento rápido e eficiente.

A Google, que desde cedo foi uma empresa de software, decidiu seguir a abordagem da Apple e preocupar-se simultaneamente com o hardware. O Pixel foi o primeiro telemóvel da Google a ser criado com esta nova visão e, por isso, podemos dizer sem medos que é o primeiro “iPhone” da Google.

Facebook Live

O livestreaming já existe na internet há largos anos, em plataformas como o YouTube ou o Ustream. Mas o Facebook trouxe-o para as massas, através do Facebook Live, com o mesmo modelo de mobilidade que o Periscope (do Twitter) estreou. Na verdade, seja no Twitter, Instagram ou no Facebook, agora qualquer pessoa pode pegar no seu telemóvel e fazer um directo para os seus seguidores ou amigos – já não precisa de equipamento profissional ou algo do género. É, assim, fácil entender a dimensão que um Facebook Live ou Periscope podem tomar, principalmente o primeiro, dado que está acessível a quase 2 mil milhões de pessoas.

No caso do Facebook, o Live foi a maior novidade desde o surgimento do News Feed. A rede social está a lançar na aplicação móvel um novo feed só com vídeos, com especial foco nos directos.

Web Summit em Portugal

O Web Summit realizou-se, este ano, pela primeira vez em Lisboa, depois de 7 edições em Dublin, e vai estar na capital portuguesa até pelo menos 2018. A primeira edição em terras lusas de uma das feiras tecnológicas mais importantes da Europa foi como uma onda gigante que inundou os principais canais informativos e as redes sociais. Uma onda tão grande difícil de surfar até para os internautas para mais experientes, as opiniões dividem-se e os focos de atenção foram dispersos, afinal de contas o Web Summit juntou mais de 600 oradores, centenas de startups e uma número quase infindável de atracções, de saídas à noite no Cais a sandes de presunto com queijo de cabra.

Quem não foi diz que não viu outra coisa no News Feed, entre selfies e posts a criticar levemente o evento. Quem foi… não teve muito tempo para checkar as redes sociais no meio da azáfama garantida pela programação dos três dias de festival. A qualidade não podia não estar assegurada também – alguns oradores podiam não ser muito conhecidos, mas a quantidade não faltou e diversidade também não.

Carros autónomos

Em Novembro, o Governo português anunciou a regulamentação dos carros autónomos no país. “Queremos criar legislação que permita usar as ruas de Portugal para pilotos, para testes de carros autónomos”, adiantou na altura João Vasconcelos, numa entrevista à Antena 1. Os veículos que se conduzem sozinhos já estão em teste um pouco por todo o mundo e em Lisboa chegarão no próximo ano, graças a um projecto com cunho da União Europeia.

As fabricantes automóveis, como a Tesla, não são as únicas a experimentar com condução autónoma. A Uber quer transportar-nos de um lado para o outro nas nossas cidades e imagina um futuro em que o fará sem motoristas, através de carros que circulem autonomamente e respondam aos pedidos dos utilizadores. É ainda um futuro distante para a empresa, mas já estão a ser dados os primeiros passos.

Pokémon Go

Todos nós assistimos à inédita popularidade do jogo Pokémon Go e muitos instalaram-no nos seus telemóveis. O Pokémon Go foi uma loucura inesperada durante o Verão, com milhões de pessoas em todo o mundo a percorrer as ruas e os jardins à caça das pequenas criaturas animadas.

A Nintendo viu as suas acções subirem mas o interesse dos investidores desapareceu quando perceberam que a empresa não estava a fazer muito dinheiro com o Pokémon Go. Apesar de este incluir compras in-app, grande parte da jogabilidade era gratuita. Se para a Nintendo, criadora do jogo, este invulgar fenómeno de popularidade representou um novo fôlego, para a realidade aumentada foi o seu primeiro teste global. A boa notícia: saiu-se muito bem.

A rúbrica #SHIFTER2016 é escrita em colaboração entre vários elementos da equipa e procura reflectir a diversidade de tons, gostos e abordagens que nos caracterizam, sem a pretensão de selecionar o melhor mas sim o mais marcante para a nossa redação.
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