O New York Times criou uma secção para proteger delatores


No jornalismo de investigação, a fonte é tão ou mais importante que o jornalista. Cabe à primeira delatar determinada informação e à segunda analisá-la, confrontá-la com outros dados, procurar mais fontes, e apresentá-la à audiência. O jornalista deve proteger a identidade das suas fontes mas, num mundo onde tudo se sabe e a privacidade ganhou novos significados, é preciso cuidado acrescido.

Quando Edward Snowden comunicou pela primeira vez com Laura Poitras para lhe revelar a espionagem massiva pela NSA, onde trabalhava, não o fez através de uma chamada ou mensagem escrita. Usou um sistema encriptado, isto é, a comunicação é feita entre dispositivos, não sendo nunca armazenada num servidor. Por outras palavras, quando usamos o WhatsApp para falar, só o receptor e destinatário tem acesso ao conteúdo das mensagens; o Facebook, proprietário do WhatsApp, não sabe em momento algum o que essas duas pessoas disseram uma à outra.

Como o WhatsApp, existem outras aplicações e mecanismos para partilhar informação confidencial ou sensível. O The Intercept, órgão de comunicação social fundado por Glenn Greenwald e dedicado a jornalismo de investigação, utiliza um sistema denominado SecureDrop para partilha de ficheiros sigilosos entre fonte e jornalista. Quer o WhatsApp como o SecureDrop são duas opções dadas pelo The New York Times aos leitores que tenham algo a partilhar com a redacção do jornal, achando ser motivo de notícia.

Numa página disponibilizada recentemente, o The New York Times sugere ainda o Signal, um serviço de troca de mensagens que Snowden diz ser o seu preferido, um e-mail encriptado (através de um mecanismo denominado Pretty Good Privacy) ou correio postal.

Em 2015, o The Intercept escreveu alguns cuidados sobre como partilhar dados sensíveis ou comprometedores, para protecção da fonte. Um artigo que vale a pena ler.

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