Morreu Anas al-Basha, o homem que fazia as crianças sírias sorrir


Anas al-Basha. 24 anos. Morreu na passada terça-feira e se te falássemos neste nome muito antes de a sua morte ser largamente noticiada, provavelmente não te ocorreria quem era. É inevitável e triste, mas a verdade é esta: é a morte que leva as pessoas boas à boca do mundo.

Milhares de crianças vivem na Síria e todos os dias são sujeitas aos cenários horrendos. Acordam todos os dias a fazer parte de uma guerra em que não escolheram participar. Na expressão, têm o medo, a fome e o olhar triste de quem, apesar da idade, sabe bem o que se passa. Anas era parte essencial da vida destas crianças.

Mais do que “O Palhaço de Alepo” – como era mais conhecido – era a figura representativa da alegria, da paz e da esperança. Era por ele que os pequenos esperavam, todos os dias. Uma figura alegre e sorridente, vestida de palhaço, que fazia rir com as suas brincadeiras. (E quanto vale um sorriso na Síria…) Juntava-se aos miúdos que encontrava pelas ruas da cidade e tentava resgatá-los, por momentos, de um cenário sujo, de medo e preocupação constante.

“When they see him they would smile. They would feel happy and get hopeful for what they are seeing in front of their eyes. It’s something completely special and different. Nobody did that before in all over Syria, since the war started” – Mahmoud al-Basha

A sua vontade e determinação em contribuir para o bem estar dos mais jovens, fez com que se tornasse director da Space for Hope, uma organização não governamental cujo objetivo é acompanhar jovens e crianças que perderam os pais nos ataques. Além de organizarem pequenas viagens, festas e outras actividades para distrair os mais novos, a ONG está associada a 12 escolas e 4 centros de apoio psicológico, que financiam e disponibilizam sessões de aconselhamento e acompanhamento a 365 crianças, das quase 100 mil.

A Space for Hope suspendeu temporariamente o seu funcionamento. “Estamos exaustos e ainda não recuperámos. Precisamos de encontrar forças para estarmos bem psicologicamente de modo a que possamos continuar a apoiar estas crianças da melhor forma possível”, afirmou Hijazi, membro da ONG, em declarações à Associated Press.

“He decided to do something special and different than the others are doing. All the NGOs, they are focusing on the food baskets and the medical stuff but Anas wants to always do something special for the children. Especially in this war, since five years, nobody is caring about these children. If they are happy or not. If they have hope or not” – Mahmoud al-Basha

A guerra dura há quase 6 anos, fez mais de 300 mil vítimas e obrigou milhões de pessoas a fugir do seu próprio país. O responsável pelas operações humanitárias da ONU, já lançou o alerta: Alepo está em risco de se tornar num “gigantesco cemitério” se não se conseguir controlar rapidamente esta situação.

De toda a cobertura feita a este acontecimento, destacamos a entrevista da CBC ao irmão de Anas al-Basha, Mahmoud al-Basha, que podes ouvir aqui.

Texto de: Ana Teresa Rei
Editado por: Mário Rui André

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