Panos Panay é o “novo Steve Jobs”?


As apresentações de produtos da Apple tornaram-se mundialmente famosas graças a Steve Jobs. Não há dúvidas disso. Quem não se emociona ao ver a apresentação do primeiro iPhone? Os mais geeks provavelmente já a reviram mais que uma vez. Jobs não só alterou a forma de pensar a tecnologia móvel, como revolucionou a forma como as empresas apresentam os seus produtos.

De camisola de gola alta preta, calças de ganga e ténis New Balance, lá subia o co-fundador da Apple ao palco. O momento, sempre efusivamente aplaudido, era o início de um espectáculo de magia. Jobs sempre se confundiu muito com a marca da maçã e nas apresentações de produtos isso via-se completamente. A entrega de Jobs aos produtos e à audiência, transparecendo toda a sua paixão, era a chave do sucesso.

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Tudo o resto ajudava a firmar esse ambiente de proximidade: os slides com pouco texto e com muitas imagens e animações; as piadas que faziam rir o público ao mesmo tempo que o mantinha desperto; o destaque não exaustivo das funcionalidades dos produtos; a humildade que Jobs mostrava sempre que alguma coisa falhava; e a própria energia de Jobs.

Jobs conseguiu tornar todos os produtos que apresentou icónicos. Os mesmos ficaram em parte definidos pelas palavras, pelos gestos e pelas emoções de Jobs enquanto os revelava pela primeira vez ao mundo e à imprensa. O iPod revolucionou a forma de ouvirmos música, o iPhone influenciou o rumo de todo o mercado de smartphones e aplicações móveis, o iPad foi o primeiro bom tablet a ser lançado, o MacBook Air provou que os computadores não tinham de ser monstros. Steve não estava apenas a apresentar novos produtos, estava a vendê-los ali mesmo, para todos os que estavam na plateia ou a assistir via livestreaming.

Podemos dizer que Steve Jobs teve sorte ou então astúcia – os principais produtos que apresentou (e aqui podemos incluir o iCloud também) eram realmente novos, não existiam, criaram novos categorias de mercado. Tal ajudou a criar a imagem revolucionária e inovadora que temos hoje da Apple e que tem vindo a desaparecer, à medida que a empresa estabiliza a sua oferta.

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O estilo do co-fundador da Apple perdura nas keynotes. Tim Cook, que sucedeu no cargo de CEO pouco antes do falecimento de Steve Jobs, optou por não ter o tempo de antena como o do antecessor, dividindo o palco com outros executivos que aparecem para revelar os produtos da sua “especialidade”. Craig Federighi para o software, Phil Schiller para hardware, Eddy Cue para o Apple Music… As piadas e os slides mantém-se, fazendo lembrar Jobs.

Actualmente vemos a Google, o Facebook, a Microsoft e outras grandes tecnológicas a fazer conferências muito próximas do estilo que acabou por ficar conotado à Apple. As apresentações da Microsoft, por exemplo, têm o seu CEO Satya Nadella no papel de Tim Cook, com outros executivos a rodar em palco consoante o que é apresentado. Nadella geralmente abre e fecha o evento. Enquanto Terry Myerson fala do Windows 10, Joe Belfiore de telemóveis ou da Cortana, Phil Spencer da Xbox e Panos Panay é o responsável por apresentar o hardware inovador da linha Surface.

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Nenhum dos executivos da Microsoft sobressai como Panos Panay. Além do nome caricato, o vice-presidente de equipamentos da Microsoft é dono de um carisma e de um entusiasmo com os produtos que apresenta que se torna difícil a audiência não se apaixonar por o quer que seja que ele tenha na mão.

O estilo de Panos Panay é parecido com o de Steve Jobs e a estratégia também. Panay sabe que estaria a apresentar apenas mais um produto se não lhe acrescentasse a sua personalidade – ficcionada ou real, isso pouco importa. À semelhança de Jobs, Panay conseguiu transformar o Surface Book num portátil extraordinário e o Surface Studio num computador de secretária mágico.

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Panos Panay chegou à Microsoft em 2004 e é actualmente responsável pela divisão de hardware da empresa e, em especial pela revolucionária linha Surface. Sim, revolucionária. O primeiro Surface foi apresentado em 2012 – um tablet que podia virar computador portátil e que trazia uma caneta para interagirmos com o software. Um ano depois, foi-nos apresentado o Surface Pro – o mesmo conceito, mas com um pouco mais de potência.

Estávamos só no início. A verdadeira revolução do Surface começou em 2015, o mesmo ano em que a Microsoft lançou o Windows 10, acertando finalmente no que um sistema operativo deveria ser. Na verdade, o Windows 10 é o melhor Windows que a Microsoft alguma vez criou. A tecnológica manteve a sua visão de um operativo universal, capaz de correr tanto num telemóvel como num computador ou até mesmo numa consola de jogos, mas corrigiu o erro crasso do antecessor Windows 8: o sistema operativo pode ser universal, mas a interface não.

O Windows 10 foi o estender do tapete vermelho para o Surface Book e o Surface Studio, o primeiro portátil e o primeiro desktop da Microsoft, e dois equipamentos que pela primeira vez fez tremer a zona de Cupertino. A Microsoft decidiu pisar um território no qual a Apple aos poucos foi desinvestindo: o dos profissionais e, principalmente, o dos criadores. Com um ecrã táctil e flexível e com acessórios como a Surface Pen e o Surface Dial, tanto o Surface Book como o Surface Studio são duas opções bastante válidas para designers, ilustradores, profissionais da moda, arquitectos, e todos os que têm no seu dia-a-dia uma grande necessidade de ferramentas criativas e de produtividade.

O Surface Book e o Surface Studio são produtos revolucionários, que tocam nas falhas (ou feridas) de produtos como o MacBook Pro, o iMac e o Mac Pro, que ao longo dos últimos anos nos habituámos a ver em estúdios de produção e agências criativas. A Microsoft é agora uma empresa de software e hardware, com propostas vencedoras em cada um destes campos. Se Satya Nadella merece crédito por esta nova visão que trouxe para a Microsoft, quando assumiu o cargo de CEO da empresa em 2014, Panos Panay não deve ficar de fora dos elogios, porque foi ele que organizou e orientou a linha Surface, criando um line-up sólido e abrangente: o Surface Book a partir de 1 499 dólares, o Surface Studio nos 2 999 dólares para cima e o Surface Pro 4 como opção de entrada, com um preço a começar nos 749 dólares.

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Panos Panay é o pai do Surface, assim como Jobs foi o pai do iPod, do iPhone e do iPad, produtos que mudaram o rumo da Apple e encarrilaram a empresa no rumo certo. O regresso de Steve à Apple em 1997 aconteceu numa altura conturbada para a empresa, que tinha sido ultrapassada pela IBM no negócio dos computadores, o único em que estava envolvida na altura. O iPod e todo o novo mercado de música digital que criou levantaram a Apple e, com o iPhone, o iPad e outros produtos revolucionários, colocaram-na no patamar que hoje conhecemos.

A Microsoft não está mal posicionada – o Microsoft Office, o Skype, a Xbox e o Windows, o sistema operativo desktop mais utilizado no mundo, são quatro trunfos gigantescos e uma fonte segura de receita para a tecnológica. Mas os Surface são estão, pela primeira vez, a entusiasmar os fãs mais ferrenhos do Mac e do macOS e podem mudar o rumo do mercado.

Do seu estilo e postura nas keynotes à sua visão no que diz respeito ao hardware, a pergunta sobre se Panos Panay é o “novo Steve Jobs” ganha força e legitimidade, mas resumi-la a uma resposta seria para já precipitado. Certo é que a forma de a Microsoft apresentar os seus produtos mudou e Panos tem sabido, dentro do novo estilo, criar o seu próprio, fomentando uma relação com a audiência como mais nenhum executivo, na Microsoft ou na Apple, tem conseguido.

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