Crianças refugiadas usadas em fábricas da Zara e Mango na Turquia


A notícia não é de hoje, contudo achamos que este tipo de relatos não possam cair em esquecimento. Na sexta-feira, dia 2 de Dezembro assinala-se o Dia Internacional para a Abolição da Escravatura. Desde de 2004, por iniciativa na ONU, este dia procura a reflexão sobre um problema que em 2016 assola milhões de pessoas e infelizmente parece não ter fim à vista. Escravatura é crime, e aqueles que a incutem devem responder judicialmente pelos seus actos.

Em Outubro, o jornalista da BBC Darragh MacIntyre descobriu crianças refugiadas na Turquia, usadas como mão de obra escrava na manufactura de vestuário de grandes empresas europeias. Nas imagens da reportagem “Undercover: The Refugees Who Make Our Clothes” podemos ver menores sírios e turcos a trabalharem ilegalmente em fábricas mundialmente conhecidas como a Zara, Mango ou Marks and Spencer.

Na apresentação da reportagem, que pode ser vista na íntegra aqui, podemos visualizar a forma precária de contratação e pagamento das crianças (cerca de 1 euro por hora), o relato de um menor que mostra a etiqueta de uma grande empresa inglesa ao repórter e também algumas imagens, obtidas através de câmaras ocultas, das condições inadmissíveis nestas fábricas.

Na altura da exibição da reportagem, a BBC avançou que todas as cadeias de roupa envolvidas garantiam a monitorização constante das suas cadeias de produção e que não tolerariam uma situação destas. Contudo, tal não parece corresponder à verdade.

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À Visão, o grupo Indetex, proprietário das lojas Zara desmente algumas afirmações da BBC e garante que “tem tolerância zero relativamente ao trabalho infantil”, além de salientar todos os esforços que a companhia tem no combate a melhores condições de trabalho para os refugiados sírios. Já na reportagem da BBC, um responsável da cadeia Marks and Spencer considera a situação “inaceitável”. Também a Mango, visada no trabalho jornalístico, confessou o seu desconhecimento perante as condições exibidas, refugiando-se na subcontratação da fábrica.

Trabalho infantil, escravo, ilegal e fomentado por multinacionais orientadas pelo lucro sem olhar, neste caso, a direitos humanos e laborais. Não é caso único no mundo, e infelizmente poderiam ser feitas dezenas de reportagens diárias sobre este problema em diversas zonas do globo. Um mês após a denúncia da BBC seria interessante perceber se o problema foi mitigado e resolvido.

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