Waze criticada pela designação de “áreas restritas” na Palestina


Desenvolvida por uma equipa baseada em Israel em Março de 2008, a Waze é uma popular app de navegação e trânsito rodoviário. A aplicação, vendida à Google por um bilião de dólares em 2013, é utilizada por milhões de condutores em todo mundo, que fazem uso da comunidade de utilizadores interligados para fugir ao trânsito diário, evitar operações stop ou definir rotas turísticas.

Há, contudo, quem recorra à aplicação para assegurar passagem segura em zonas geográficas politicamente instáveis e potencialmente perigosas, como é o caso da Cisjordânia, palco recorrente de confrontos no duradouro conflicto israelo-palestiniano. Uma das funcionalidades de origem da Waze consiste especificamente no bloqueio automático de “áreas perigosas”, que a aplicação define como “áreas de condução perigosas e territórios A, B”. Territórios árabes, por outras palavras.

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A predefinição da Waze é perfeitamente compreensível do ponto de vista legal, uma vez que várias das principais cidades da Cisjordânia são de entrada expressamente interdita a cidadãos Israelitas. Para além disso, nos últimos anos do conflito são mais que frequentes situações de violência extrema entre colonos israelitas e palestinianos na Cisjordânia. A enorme animosidade entre as duas frações do conflicto, que se arrasta praticamente desde a criação do Estado de Israel em 1948, está na origem de grotescos e recorrentes confrontos, que só neste último ano vitimaram cerca de 36 Israelitas e 220 Palestinianos. A escolha de rotas seguras, que evitem territórios controlados pela Autoridade Palestiniana, torna-se assim de vital importância para qualquer viajante judaico, que encontram na Waze um útil e precioso aliado.

No entanto, a aplicação não tem qualquer opção que permita a cidadãos Palestinianos evitar a navegação por colónias judaicas, o que levou vários habitantes locais a acusar a Waze de perpetuar o estigma relativo às suas comunidades. Salah Amleh, um empresário palestiniano de 36 anos, ligado ao ramo tecnológico, conta à Motherboard que a predefinição da Waze tem efeitos nefastos para os negócios da região uma vez que “os turistas não poderão vir visitar-nos porque bloqueia automaticamente os caminhos e estradas para Ramallah”, umas das principais cidades palestinianas.

Ainda que o território da Cisjordânia seja um complexo emaranhado de campos militares, colónias variadas e fronteiras em constante alteração, a definição de “zona perigosa” da Waze é bastante subjectiva quando se aplica quase unilateralmente a territórios árabes e não abrange colónias edificadas à revelia de Israel e da própria lei internacional, como é o caso da colónia Mitzpe Danny. “É quase como que se todo o mapa da Palestina fosse invisível para a aplicação, e vai decididamente afetar a economia”, defende Amleh.

Foto: Philip Touitou/Flickr

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