‘Talewind’ é um dos videojogos portugueses mais bonitos que já vimos


Os ventos que acompanham a chegada do outono também se fizeram sentir no universo dos jogos de vídeo. A movimentação de ar em grande quantidade é a mecânica central do Talewind. Porém, a nossa missão neste jogo de plataformas é desvendar o mistério por trás do enfraquecimento das enormes correntes de ar, vitais para a sobrevivência da aldeia.

Talewind foi produzido por uma dupla de criadores e começou como tantos outros projetos de idêntica dimensão. Philip Machado convidou João do Lago para desenvolverem um jogo de vídeo em conjunto. O primeiro ficou encarregue da programação, enquanto o segundo tratou da componente visual. Juntos formam a Wind Limit Studios. Escolheram um cenário montanhoso para o imaginário que estavam a construir e decidiram-se por plataformas como género. As memórias e as influências dos dois trataram do resto.

Dessa forma, Talewind é não só o produto de quase dois anos de dedicação total por parte dos dois developers, como uma síntese assumida destes enquanto jogadores e consumidores de entretenimento e cultura. A referência mais evidente e imediata reside no aspeto do jogo, cujo estilo recorda as produções cinematográficas do Studio Ghibli. O traço enganadoramente infantil e a diversidade da paleta de cores são elementos habituais dos filmes de animação oriundos daquele estúdio japonês.

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Por outro lado, mal o jogo começa surge outro universo de influências. No que diz respeito à dinâmica deste título de plataformas em duas dimensões, quem passou horas nos primeiros títulos de franquias como Mario Bros. ou Sonic the Hedgehog vai encontrar uma enorme familiaridade. Sobretudo em relação aos jogos do ouriço azul ultra rápido. Nomeadamente ao nível das criaturas inimigas que povoam os níveis, assim como na mecânica dos túneis de vento. Igualmente, a capacidade de planar da personagem que assumimos no jogo é semelhante à de Knuckles the Echidna, outra criatura do mundo de Sonic.

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Apesar de ter sido lançado oficialmente, Talewind não deixa de ser um produto em construção e a carecer de alguns retoques. Ainda nos deparamos com soluços, tanto no arranque da aplicação como ocasionalmente a meio dos níveis. Paralelamente, alguns obstáculos próprios do cenário conseguem estragar a experiência de jogo. Por exemplo, uma vez caindo em alguns campos de força, é praticamente impossível sair deles, obrigando o jogador a fechar a aplicação, e assim perder o progresso, para poder continuar a jogar.

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Porém, tais aspetos não condenam a experiência positiva que é jogar Talewind. Aliás, tudo indica que os mesmos detalhes venham a ser melhorados ou corrigidos. Ao longo da nossa avaliação, foi possível observar como os criadores do jogo escutaram a comunidade de jogadores e dessa reação melhoraram o seu produto. Entre a versão de lançamento e a atualmente disponível houve atualizações significativas. O caso mais evidente é o da contagem das vidas da personagem, que entretanto desapareceu face às justificáveis apreciações de que tornavam a jogabilidade altamente frustrante.

À primeira vista, pode não passar de uma mera melhoria que acompanhou uma atualização do jogo, algo absolutamente banal na realidade presente e digital dos jogos de vídeo. Contudo, é um elemento bastante significativo, na medida em que espelha uma vontade de melhorar acompanhada por uma capacidade de escutar o seu público. Tal comportamento sugere que Talewind tem ainda margem para melhorias, assim como permite antever que os reflexos dessa aprendizagem se farão sentir também em títulos futuros da Wind Limit Studios.

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