Trojan Horse Was An Unicorn: uma celebração global da arte digital

Começa hoje em Portugal o maior festival de animação digital do mundo.

Trojan Horse não é um programa de computador malicioso, nem uma estratégia militar. É um unicórnio. Aliás, é um conjunto de inúmeros unicórnios cavalgados pelas maiores promessas (ou certezas) da indústria de entretenimento digital. Um evento que merece ser levado muito a sério pelo nosso país, onde mostra o que de melhor se faz no setor, pela oportunidade de dar início a carreiras potencialmente brilhantes e, literalmente, por trazer Hollywood a Portugal.

Para terem noção da dimensão do Trojan Horse was an Unicorne (THU) e do que o torna um dos festivais mais importantes do mundo que “ninguém” conhece, o mesmo esgotou em apenas uma semana, sem qualquer orador confirmado e, sobretudo, sem a confirmação do país onde seria organizado.

Segundo André Lourenço, fundador do evento, após três edições em Portugal, o THU estava de saída do nosso país devido à falta de projeção e consequente falta de investimento, derivado do facto de ser uma área que é muitas vezes mal entendida, não havendo uma perceção do seu real impacto.

Mas depois de largos meses de negociações com vários países na Europa, e chegando a ser praticamente dado como certo em Barcelona, o THU está a realizar-se mais uma vez em Tróia, onde nasceu em 2013. Isto devido a um maior reconhecimento e apoio do Governo português e da cidade de Setúbal, apesar da intervenção de patrocinadores internacionais. Que é fundamental, não tivesse o THU uma participação maioritariamente estrangeira, vinda de mais de 50 países, e não fosse considerado o melhor evento do mundo da indústria de entretenimento digital.

Esta quarta edição do festival, cujo objetivo é mostrar talento e trocar experiências, apostando sobretudo numa vertente educativa, tem lugar a partir de hoje, 19 de setembro até ao próximo dia 24. Ao longo destes 5 dias, os participantes poderão ser parte ativa em workshops, talks, live demos, art battles, ações de mentoria e sessões de recrutamento num ambiente de networking constante com as maiores estrelas da área digital na indústria do cinema e dos videojogos.

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De acordo com André Lourenço, em conferência de imprensa realizada na Casa da Baía, em Setúbal, na edição de 2015 a Disney recrutou três pessoas em Portugal, sendo o país em que recrutou mais elementos nesse ano. Na edição deste ano, o THU contará com uma equipa completa da Disney para recrutar novos talentos. Outras grandes empresas como a Pixar, Blizzard, Juice, Riot Games, Platige, innoGames, Wogga, Method Studios, Framestore e a King também estarão a recrutar.

Entre os nomes trazidos pelo THU a Portugal, nos últimos três anos, está o embaixador do festival Scott Ross, líder na década de 80 da Industrial Light & Magic, da companhia Lucasfilm fundada por George Lucas, que ganhou cinco óscares de melhores efeitos visuais, em filmes como Who Framed Roger Rabbit, o Terminator 2: Judgment Day ou The Abyss, e que mais tarde co-fundou a Digital Domain, uma das empresas de referência na indústria publicitária.

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Andrew Jones, vencedor do Óscar para efeitos visuais com o filme Avatar e responsável pelos efeitos visuais de Titanic, Syd Mead, criador do universo de ficção de Blade Runner, Sven Martin, responsável pelos efeitos visuais da série Game of Thrones, Paul Briggs, autor do filme de animação Frozen, ou ainda, Iain Mccaig, ligado ao universo da saga Star Wars, Shane Mahan, dono da Legacy FX, e Robh Ruppel, dos videojogos Naughty Dog, são outras verdadeiras vedetas da indústria que estiveram presentes nas primeiras três edições deste evento que é descrito como a combinação entre o Burning Man e as conferências TED.

Ao longo desta semana, estarão presentes nomes como Brenda Chapman, que trabalhou na animação de filmes como The Little Mermaid e Beauty and the Beast, Dan Cooper, do departamento de desenvolvimento visual da Walt Disney Animation Studios, e Loic Zimmermann, da equipa de design dos filmes Deadpool, Harry Potter e Avengers.

O THU é uma iniciativa centrada nos artistas (os cavaleiros de unicórnios) e na valorização do trabalho destes. Um evento verdadeiramente inspirador, que dá a conhecer o que se faz nesta área e que sobretudo pode vir a lançar os próximos grandes talentos da indústria de entretenimento digital.

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