Foi publicado o mais completo e detalhado mapa da Via Láctea


Os primeiros dados reunidos pelo satélite Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) foram publicados na semana passada, e é possível observar as posições exactas de 1142 milhões de estrelas. Este é assim o primeiro passo na elaboração do mapa mais preciso da Via Láctea alguma vez visto.

Pode ser consultado de forma interactiva e é o maior e mais detalhado mapa estelar da nossa galáxia catalogado até à data, sendo o resultado de 14 meses de rastreamento do céu pelo satélite Gaia, que teve início em Julho de 2014. A imagem publicada foi elaborada pelo grupo CENTRA da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, coordenado pelo Professor André Moitinho de Almeida, que participa nesta missão da ESA.

As regiões do mapa mais bilhantes correspondem a uma concentração estelar mais densa, enquanto as regiões mais escuras representam zonas onde existe uma menor concentração de estrelas.

O Plano Galáctico, onde se encontra a maioria das estrelas da Via Láctea, corresponde à zona mais brilhante do mapa, representado por uma linha horizontal que é especialmente brilhante no centro. As regiões escuras ao longo deste plano correspondem a densas nuvens de poeira e gases interestelares que absorvem a luz estelar na linha de observação.

É também possível observar aglomerados estelares, nomeadamente a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães, na zona inferior direita do mapa estelar.

As riscas que se podem ver na imagem publicada, assim como outros artefactos, resultam da forma como Gaia rastreia o céu, e irão gradualmente desaparecer à medida que os próximos rastreamentos forem realizados, num período que se estende até 2021.

Álvaro Giménez, director de Ciência da ESA, diz que “Gaia está na vanguarda da astrometria, cartografando o céu com precisões que nunca antes foram alcançadas”. Mais ainda, o mapa publicado “dá-nos uma primeira impressão dos dados extraordinários que nos esperam e que irão revolucionar a nossa compreensão de como as estrelas estão distribuídas e se movem por toda a nossa Galáxia.”

Esta primeira versão de dados mostra-nos assim que a missão Gaia está  no bom caminho para concretizar o seu objectivo final: cartografar a três dimensões as posições, distâncias e movimentos de 1% do conteúdo estelar da nossa Galáxia, o que corresponde a cerca de mil milhões de estrelas.

Sabe mais sobre a missão Gaia aqui.

Previous Investigador português recebe bolsa europeia no valor de 1,5 milhões de euros
Next Snowden Talks: estará alguém seguro? Discussão esta quarta no ISCTE