Os inventores da Siri preparam-se para mudar tudo outra vez


Foram dois dias de troca de experiências, mas o que ficou do que passou na edição deste ano da GoYouth Conference? No LX Factory a língua mais ouvida foi o inglês para todos perceberem o que estava a ser dito. Dan Price foi a autêntica rock star que tirou selfies e foi entrevistado para a televisão, mas o entusiasmo para o futuro foi dado por Adam Cheyer: o norte-americano que vendeu a Siri à Apple continua cheio de ideias e projectos. O último é o Viv, uma plataforma de inteligência artificial que pretende ir mais além dos assistentes pessoais virtuais que actualmente existem. Na sua palestra, Cheyer revelou pouco mas há muito a descobrir sobre as funcionalidades desta tecnologia.

Contudo, 0s portugueses também estiveram em destaque. Os casos de sucesso da landing.jobs, da UniPlaces e OLX foram descodificados em palco, mas foi a Typeform quem nos piscou o olho. Na realidade a empresa está sediada em Barcelona, mas o marketing é português. Pedro Magriço, speaker na GoYouth, é o director de marketing e crescimento desta plataforma online que pretende tornar agradável um serviço à partida menos empolgante: os formulários e inquéritos que circulam pela internet fora. O design é peça essencial, mas a funcionalidade – disse – tem de ser a prioridade, caso contrário nenhuma das partes fica a ganhar. Aqui, não basta ser bonito.

Adam Cheyer é um produto do sonho americano. Com uma chamada de Steve Jobs e uma visita a sua casa, mudou de vida. Quando a Apple lhe comprou a Siri integrou a empresa como Director of Engineering no sector iOS. Interessado em inteligência artificial, dá agora a entender que a Siri era apenas um começo. Agora o seu maior desafio chama-se Viv. Na GoYouth não adiantou muito (não podia, disse, porque vão anunciar oficialmente a tecnologia em breve), mas deixou um conselho para quem quer chegar aos mesmos resultados: prever o futuro tendo em conta as tendências actuais e as que se acham que vão ser as tendências futuras, antecipando oportunidades e consequentemente sucessos. Em suma, “timing the future”, apelidou, “by following the data”, que é como quem diz “indo atrás do que os números nos dizem”. A estratégia de Cheyer é simples: desafia-nos a dedicarmos um dia para prever as tendências para os próximos 10 anos, escrevendo-as num papel que devem guardar. Depois é seguir o instinto e ir à procura da sorte.

A promessa é de simplificar “radicalmente” o mundo. É isso que a Viv quer fazer através de um interface inteligente que nos dê acesso teoricamente a tudo. Fruto de muitos anos de trabalho, está para breve o momento em que o grande público vai ter acesso a esta tecnologia. Ao lado de Dag Kittlaus e Chris Brigham, Adam Cheyer fez a Viv, de certa forma um upgrade da Siri, à qual se dedicou nos últimos anos. Depois dos sistemas operativos, dos browsers e agora das aplicações, Cheyer não tem dúvidas de que o próximo interface vão ser os assistentes digitais e pessoais. Ou seja, um interface de utilização do mesmo conteúdo diferente. Segundo contou na GoYouth, esta não é uma ideia nova, pelo menos para ele. Nas décadas de 70 e 80, Adam Cheyer achava que seria este formato a vingar e a chegar aos utilizadores, invés dos sistemas operativos como o Windows.

Para o projeto resultar, a Viv tem na sua génese uma plataforma aberta capaz de ser trabalhada. O que isto quer dizer é que outros programadores (de aplicações, por exemplo) podem contribuir ligando os seus projectos à Viv. O sucesso dependerá do alcance em termos de conhecimento e de ligações que se podem fazer em milissegundos para responder a questões práticas dos utilizadores. Resumindo: tu fazes a perguntar e a Viv trabalha de forma a dar-te a melhor resposta. “Saber se vai chover hoje à noite ou pedir para encontrar restaurantes de pizza perto da casa do meu irmão” – foram estes os dois exemplos dados no ano passado à revista MIT Technology Review, num artigo sobre até onde a inteligência artificial nos vai levar.

Em contrapartida, a Viv pode encontrar forças de bloqueio. No mundo da tecnologia são muitas as empresas que já se mexem na vertente de inteligência artificial e assistência pessoal, podendo não existir um lugar concreto para este novo projecto estabelecer-se. Contudo, Cheyer diz não ter dúvidas de que esta é uma tendência do futuro, tudo porque a tendência actual é uma espécie de overdose de apps, onde já se desinstala mais aplicações do que as que se instala.

Dia 9, próxima segunda, tudo será revelado no evento TechCrunch Disrupt NY. Pouco tempo depois estará nas mãos de muitas pessoas a ser utilizado. Pelo menos aí muitas dúvidas vão dissipar-se.

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