Museu da Electricidade fecha este mês… e abre em Junho como MAAT


O Museu da Electricidade estará encerrado a partir do próximo dia 23 de Maio e até 28 de Junho, no âmbito de uma intervenção que assinala a revitalização deste espaço. Dia 29 de Junho, a antiga central eléctrica abrirá com um novo museu: o MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia.

Ao longo de um mês, o Museu da Eletricidade será alvo de uma requalificação que tem como principal objetivo dar uma nova vida à Central Tejo, que passa a estar integrada no MAAT. Dissemos “passa a estar integrada” porque o MAAT vai estender-se para lá do edifício do actual Museu da Electricidade, através de um nova estrutura concebida pelo atelier londrino Amanda Levete Architects (AL_A). Ao todo, o MAAT ocupará uma área de 38 mil metros quadrados na zona ribeirinha de Belém, em Lisboa.

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O MAAT acolherá uma mostra permanente de ciência e eletricidade e um vasto programa de exposições temporárias. Segundo a Fundação EDP, dona do espaço, o museu centra-se na cultura contemporânea, através da combinação de artes visuais e media, arquitectura e cidade, tecnologia e ciência, sociedade e pensamento. A partir de um património físico único, uma colecção de arte portuguesa em expansão e um inovador programa de exposições, o novo museu da Fundação EDP será um sítio para a descoberta, a reflexão crítica e o diálogo internacional.

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No dia da inauguração, a 29 de Junho, só o edifício do antigo Museu de Electricidade será MAAT. O empreendimento do AL_A estará a ser concluído. Este espaço irá criar espaços de exposição sob uma cobertura ondulante, concebida para criar um novo espaço público acima das galerias. No seu todo, o projecto irá renovar o acesso ao rio Tejo a partir da cidade e consolidar a regeneração urbana global do bairro.

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A forma topográfica da cobertura atenua o impacto da estrutura na paisagem num movimento que cria permeabilidade visual e física entre interior e exterior. Trata-se de um espaço para ser apropriado pelo público, ao permitir que as pessoas andem sobre, debaixo e através do edifício, bem como aceder à cidade através de uma nova ponte pedonal sobre a linha férrea. A cobertura transforma-se numa sala ao ar livre, uma ligação física e conceptual para a cidade.

Restaurando a ligação histórica entre a cidade e a água, o edifício cria um destino para os lisboetas, bem como para os visitantes culturais e turistas, reabilitando para todos a zona ribeirinha, explica o AL_A. O contexto de beira-mar é tão essencial para o projecto que o desenho encontrou uma maneira de o reflectir – literalmente – no chão da galeria. Uma cobertura saliente que cria uma sombra bem-vinda é usada para refletir a luz do sol da água e entrar no edifício, emulando os padrões de deslocamento das ondas.

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Inspirado pelo rico património material do Lisboa, a calçada portuguesa é reinterpretada aos nossos pés e usada para fundir os novos espaços públicos com a textura existente das ruas da cidade. Retomando a tradição cerâmica portuguesa, os azulejos 3D compõem a fachada e produzem uma superfície complexa que dá leituras de água, luz e sombra, capturando e ampliando as qualidades tonais da luz deste local.

O antigo Museu de Electricidade reabre dia 29 de Junho com 4 novas exposições e com o seu circuito museológico – ligado à história e evolução da eletricidade – redesenhado. Quanto às exposições, são estas:

  • Lightopia (de 28 de Junho a 11 de Setembro): Lightopia analisa a forma como a luz elétrica revolucionou o nosso ambiente como quase nenhum outro meio, apresentando exemplos da sua aplicação e reinvenção nos domínios da arte, design, arquitetura e muitas outras disciplinas. Lightopia é um projeto realizado e comissariado pelo Vitra Design Museum em parceria com a Fundação EDP.
  • Segunda Natureza (de 28 de Junho a 15 de Outubro): Segunda Natureza é a primeira de uma série de exposições que apresentarão olhares sobre a Coleção de Arte Fundação EDP. A exposição foca-se nas representações artísticas do mundo natural quando tomamos consciência que já não existe Natureza intocada pela cultura humana. Esta primeira selecção de obras da colecção conta com curadoria de Luísa Especial e do director do MAAT, Pedro Gadanho.
  • Siloquies and Soliloquies on Death, Life and Other Interludes (de 28 de Junho a 15 de Outubro): exposição individual do fotógrafo português Edgar Martins, residente em Londres. Um projeto inédito de um artista português de reconhecimento crescente, como será regra na renovada sala do Cinzeiro 8. A curadoria da exposição é de Sérgio Mah.
  • Artists’ Film Internacional (de 28 de Junho a 15 de Outubro): a exposição Artists’ Film Internacional irá apresentar um conjunto de artistas internacionais com obras em filme, vídeo e animação. As obras serão projectadas em espaços adjacentes à maquinaria industrial da Central Tejo, convidando à descoberta da arte no âmbito de um percurso museológico dedicado à ciência e produção de energia. A Artists’ Film Internacional é um projeto colaborativo iniciado pela Whitechapel Gallery, (Londres), e organizado anualmente por um grupo de 16 instituições internacionais, entre outras, Istanbul Modern (Istanbul), Fundación Proa (Buenos Aires) e National Centre for Contemporary Arts – NCCA (Moscovo).

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Os últimos dias do Museu da Eletricidade coincidem também com o final da exposição World Press Photo, a mais reconhecida exposição de fotojornalismo a nível internacional. Até 22 de maio será a última oportunidade para (re)ver as mais de 150 fotografias em exibição, que incluem, entre outros, os trabalhos do australiano Warren Richardson, que conquistou o 1o prémio com uma imagem que mostra dois refugiados a fazerem passar um bebé através de uma vedação de arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria.

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