Estudo sobre o ‘Biggest Loser’ mostra porque é difícil perder peso e manter


Quando a 8ª edição do programa televisivo The Biggest Loser chegou ao fim em 2009, nos Estados Unidos da América, muitos espectadores até podem ter previsto que alguns dos concorrentes voltariam a ganhar muitos dos quilogramas que perderam durante o programa. O que muitos não esperavam é que este aumento se devesse em parte a razões biológicas e não à falta de vontade e esforço por parte dos concorrentes.

Um estudo publicado na semana passada na revista científica Obesity vem agora lançar alguma luz sobre estas razões biológicas que estão a criar dificuldades aos concorrentes que tentam manter o seu peso depois do programa. Uma equipa de investigadores do Instituto Nacional da Diabetes e de Doenças Digestivas e do Fígado, em Maryland, seguiu 14 dos 16 concorrentes desta edição, com o objectivo de detectar mudanças a longo prazo na taxa de metabolismo em repouso e na composição corporal destes participantes.

Danny Cahill, o biggest loser desta edição, pesava cerca de 195 kg quando iniciou o programa, chegando ao fim com menos 108 kg, o que faz deste concorrente o maior loser de todas as edições do reality show. No entanto, nos anos seguintes, Danny voltou a ganhar cerca de 45 kg, apesar de todos os seus esforços para manter o seu novo peso. De facto, a maior parte dos concorrentes ganhou de volta uma grande parte do peso perdido, havendo inclusive quem se encontre com um peso maior àquele com que iniciou o programa.

Sabe-se que a taxa de metabolismo em repouso, que se traduz na quantidade mínima de calorias necessárias para manter as funções vitais do corpo em repouso, diminui quando alguém perde peso deliberadamente, mesmo que não apresente um excesso de peso inicial. Assim, os investigadores deste estudo não ficaram surpreendidos quando os concorrentes do Biggest Loser apresentaram taxas de metabolismo em repouso mais baixas no final do programa.

O que realmente chocou os investigadores foi o facto desta taxa de metabolismo não ter aumentado novamente. Na verdade, à medida que os anos foram passando e os participantes foram recuperando alguns quilogramas, a taxa de metabolismo em repouso foi diminuindo, o que significa que os seus organismos intensificaram o esforço para levar os concorrentes ao seu peso inicial.

Por exemplo, a taxa de metabolismo em repouso de Danny Cahill diminuiu de tal forma que, para manter o seu peso actual (cerca de 133 kg), tem de ingerir menos 800 calorias quando comparado com outro homem da mesma estatura física. Isto significa que, para além das dificuldades esperadas para estes concorrentes – como a dificuldade em manter uma dieta equilibrada e uma quantidade de exercício físico adequada no dia-a-dia, estes concorrentes têm ainda de lutar contra a própria biologia humana.

Este estudo demonstra assim que o corpo humano irá lutar sempre contra a diminuição de peso corporal e que esta luta poderá arrastar-se durante anos. Mais ainda, não importa que estes concorrentes tenham perdido grandes quantidades de peso num ambiente controlado e que tenham mantido um estilo de vida saudável e activo nos anos seguintes. A verdade é que estas pessoas não conseguem escapar ao facto de que os seus corpos tentarão sempre voltar ao seu peso inicial.

David Ludwig, médico e director do centro de prevenção de obesidade New Balance Foundation, situado no Hospital Infantil de Boston, que não fez parte desta investigação, confirma a importância destes resultados e assegura que estes não devem ser interpretados como um sinal de que estamos destinados a combater a nossa biologia ou mesmo a ficarmos com excesso de peso para sempre, mas sim que estes resultados incentivam a procura de novos métodos no combate à obesidade, nomeadamente no controlo de peso após uma perda significativa de peso corporal.

Texto de: Sofia Ferreira
Editado por: Mário Rui André

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