O reactor de fusão nuclear alemão conseguiu o seu primeiro plasma de hidrogénio


Já aqui tínhamos falado antes do Wandelstein 7-X. Trata-se de uma máquina altamente complexa capaz de gerar plasmas a temperaturas altíssimas, superiores às do interior do Sol, com o objectivo de obter fusão nuclear entre elementos leves.

Em Novembro do ano passado, a máquina de mil milhões de euros foi ligada pela primeira vez e obteve o seu primeiro plasma de hélio durante apenas um décimo de segundo. Desde então foram já efectuados mais de 300 ensaios que permitiram, entre outras coisas, limpar o interior da câmara do plasma de possíveis impurezas. Agora, volta a ser notícia por ter gerado o seu primeiro verdadeiro plasma de hidrogénio, a matéria-prima de eleição para fusão nuclear.

Foi nada mais nada menos que pela mão de Angela Merkel que o stellarator foi ligado. Após a Chanceler alemã ter carregado no botão, um curto clarão nos ecrãs de controlo não se fez esperar, sinalizando uma bem-sucedida produção de plasma. “Isto marca o início de uma experiência única no mundo, que nos poderá trazer mais próximos da fonte de energia do futuro”, afirmou a Chanceler no evento da estreia do Wandelstein 7-X.

Ao iniciar, a máquina aplicou um pulso de micro-ondas de dois megawatts a uma pequena quantidade de gás hidrogénio. Devido à energia aplicada os átomos desfizeram-se, com os electrões a separarem-se dos núcleos, formando o tão desejado plasma numa sopa de partículas altamente energéticas, contidas sempre pelo confinamento magnético produzido pelas distorcidas bobinas supercondutoras.

“Com uma temperatura de 80 milhões de graus centígrados e um tempo de vida de um quarto de segundo, o primeiro plasma de hidrogénio do dispositivo esteve completamente ao nível das nossas expectativas”afirmou Hans-Stephan Bosch, membro da divisão responsável pela operação do stellarator.

Esta fase inicial de testes com o plasma de hidrogénio vai durar até Março, altura em que está programada uma actualização ao sistema em que irão ser instalados painéis de carbono no interior da câmara que irão proteger as suas paredes, e um divertor, que fará a extracção de impurezas do interior do stellarator enquanto este se encontra em funcionamento. Com estas melhorias espera-se estender o tempo de vida do plasma para 10 segundos. Mas, a longo prazo, dentro de quatro anos, espera-se que sucessivas melhorias venham a estender este período para 30 minutos a uma potência de 20 megawatts.

Bosch afirma ainda que “numa fase mais avançada do W-X, a começar em 2019, iremos começar a usar deutério e começaremos a ter reacções de fusão nuclear, mas não o suficiente para produzir mais energia do que aquela que gastamos”. Ou seja, o Wandelstein 7-X não está projectado para produzir energia. Contudo, como tecnologia pioneira, irá permitir que se faça investigação na área da fusão nuclear que poderá um dia vir a estar na origem das centrais energéticas do futuro.

Isto porque a fusão nuclear é basicamente a fonte de energia ideal. É a fonte de energia das estrelas, e não é por isso de admirar que tenha o potencial para mudar o mundo. John Jelonnek, membro da equipa de físicos, disse ao The Guardian que “trata-se de uma fonte de energia muito limpa, a mais limpa que poderíamos desejar. Não estamos a fazê-lo por nós, mas pelos nossos filhos e netos”.

Infelizmente esta tecnologia ainda se encontra a décadas de produzir energia útil, mas são projectos como o stellarator Alemão Wandelstein 7-X e o tokamak Francês ITER que vão dando pequenos passos, mas importantíssimos, na direcção certa.

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