Há uma “intensa actriz portuguesa” a dar que falar em Sundance


Kika Magalhães é a protagonista de The Eyes of My Mother. O filme, que tem sido apontado como um dos mais entusiasmantes de Sundance, foi apresentado na secção NEXT do festival de cinema e tem valido uma série de elogios à actriz portuguesa.

The Eyes of My Mother apresenta-nos Francisca (Olivia Bond), uma menina tão pura quanto pura pode ser uma criança, que vive com a mãe, uma ex-cirurgiã portuguesa (Diana Agostini), e o pai (Paulo Nazak) numa quinta isolada. Uma tarde, um homem perverso e misterioso aproveita-se da ausência do pai para cometer um crime hediondo que envolve mãe e filha. Anos mais tarde, reencontramos Francisca, já interpretada por Kika Magalhães, como uma jovem mulher sombria que vive com um filho (Joey Curtis-Green) e com centenas de fantasmas que a assombram e relembram do trauma que viveu na infância.

Um exercício sobre a psicose filmado a preto e branco, The Eyes of My Mother tem poucos diálogos e uma presença marcadamente noir que vai além da cor da tela. A crítica norte-americana refere que o estilo do realizador Nicolas Pesce relembra David Lynch, louva a abordagem estética do jovem nova iorquino e as opções técnicas que o fizeram construir uma história repleta de violência sem mostrar cenas explicitamente violentas. Somos aconselhados a manter debaixo de olho o realizador que até agora só tinha dirigido videoclips e que se estreia nas longas-metragens com um filme que é bonito pelos mesmos motivos que o vão fazer ser estranho para o grande público, porque repudia o caminho óbvio de uma história, se recusa a ligar os pontos entre cenas e deixa que o espectador tire as suas próprias conclusões.

Que tenhamos lido, à excepção do The Guardian – que dá uma estrela ao filme e o acusa de ter caído numa tentativa cómica de ser chocante, num género “Almodóvar meets The Texas Chainsaw Massacre” sem a finesse –, a maioria das críticas são elogiosas, não só ao filme e realizador, mas à actriz principal. O The Hollywood Reporter sublinha a “intensidade” de Kika Magalhães e o Ioncinema classifica-a como uma “estrela emergente”.

Certo é que desde a mostra de The Eyes of My Mother em Park City, Kika Magalhães assinou um contrato com a Anonymous Content, a empresa de desenvolvimento e produção multimédia e gestão de talentos de Steve Golin, responsável pela produção de filmes como Spotlight, The Revenant ou Babel e por séries como True Detective ou Mr. Robot.

Numa entrevista à agência Lusa, Kika revelou que o papel no filme, o seu primeiro como protagonista, estava “muito além dos seus sonhos” e que quando se mudou há quatro anos para os Estados Unidos “pensava que se conseguisse duas linhas em peças baratas, teria muita sorte”.

A actriz portuguesa participou recentemente em outros dois filmes que ainda não estrearam: uma produção de ficção científica de Gus Van Sant chamada City of Gold e outro filme independente de Ken Kushner, Tapestry, no qual interpreta o papel de mulher da personagem de Stephen Baldwin.

Kika Magalhães nasceu em Vila Nova de Famalicão, estudou cinema na Universidade Independente de Lisboa. Em Portugal interpretou pequenos papéis em séries como Morangos com Açúcar e Diário de Sofia. Mudou-se para Nova Iorque em 2012 onde estou na Neighborhood Playhouse School of Theater. Vê agora a sua carreira lançada num filme que ainda não tem qualquer data de estreia em Portugal. De acordo com a Variety há vários distribuidores interessados no projecto e a imprensa portuguesa avança que o devemos ficar a conhecer na próxima edição do IndieLisboa. Em baixo podes ver um vídeo do Hollywood Life com uma entrevista a Kika Magalhães e ao realizador Nicolas Pesce sobre The Eyes of My Mother: