Vhils esculpiu uma operária fabril em Hong Kong


Podes até nem nunca ter ouvido falar de um tal de Alexandre Farto, mas se vives em Lisboa o mais provável é que já te tenhas cruzado com um dos seus característicos “retratos urbanos”. Nascido no Seixal e com 28 anos de idade, Alexandre – Vhils de nome artístico – é aclamado pela comunidade artística mundial pela sua inovadora abordagem à arte urbana, que consiste em esculpir retratos utilizando para isso somente as várias camadas arquitetónicas de um dado edifício. O artista urbano português, que começou como graffiter, esculpiu o seu primeiro retrato em 2006, tendo desde então realizado inúmeros projetos um pouco por todo o planeta, incluindo Londres, Berlin, Las Vegas, Shangai, Paris e Sydney.

Na passada sexta-feira, Vhils completou o seu mais recente projeto – o retrato de uma operária fabril, cravado na parede de uma antiga fábrica de têxteis em Tsuen Wan, Hong Kong. O projeto contou com o apoio da Hong Kong Contemporary Art Foundation e também da The Mills Gallery, organização que está à frente do projeto de restauração da área que quer transformar os velhos edifícios num novo polo artístico e criativo. Para o retrato, o artista urbano utilizou uma broca perfuradora num longo e delicado processo que demorou cerca de 13 horas a ser concluído.

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Vhils, que vai fazer ainda outros dois retratos nas paredes das antigas fábricas Nan Fung, mudou-se em Setembro para Hong Kong, onde abriu recentemente um estúdio de arte. Em entrevista à South China Morning Post, o artista português disse que via Hong Kong como “uma espécie de refúgio criativo”, muito pelo seu ritmo de vida frenético mas também pelo seu lado mais obscuro. “Estes edifícios todos embelezados têm o seu lado de glamour mas acabam também por tecer uma sombra. O meu trabalho tende a focar-se nessa sombra porque é aí que muitas coisas estão escondidas. Todo este contraste e o progresso que Hong Kong tem vindo a atravessar é realmente interessante, e muito inspirador”, disse.

Os retratos programados para a zona, incluíndo o da operária fabril já realizado, são apenas um arranjo temporário uma vez que está programado serem removidos durante o projeto de renovação dos The Mills, que se espera ficar concluído em 2018. Ainda assim, Vhils tem já agendada uma série de outros trabalhos pela cidade em parceria com a Hong Kong Contemporary Art Foundation, que vai também organizar uma exposição a solo com o artista português no decorrer do próximo ano.

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