Essena O’Neill alerta a sua geração para a falsidade do mundo virtual


Essena O’Neill

Numa altura em que as redes sociais são discutidas mais que nunca no mundo da sociologia e da saúde, Essena O’Neill, uma adolescente australiana de 19 anos, considerada pelas novas gerações uma “estrela das redes sociais”, fez explodir a internet ao anunciar que iria desistir do mundo online por se sentir “miserável” e “consumida” pela pressão da validação social.

Loira, de olhos azuis e com um corpo escultural, Essena partilhava diariamente nas redes fotografias deslumbrantes que despertavam a atenção pela, aparentemente, “vida perfeita” que vivia.

A internet ficou virada do avesso quando no dia 27 de Outubro, Essena O’Neill começou por editar as legendas das fotografias que tinha publicadas no Instagram para descrever o quão encenadas eram, mas também para alertar sobre a comercialização da sua presença online. Em seguida, eliminou cerca de 2000 fotografias e, por fim, apagou a sua conta.

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Seguiu-se um vídeo emotivo, publicado no dia 31 de Outubro, onde Essena surge de cara lavada e desabafa sobre o quão “miserável” se sente por ter vivido tantos anos mergulhada num mundo fútil e ilusório como o das redes sociais, ao qual se tinha dedicado ao longo dos últimos anos “esquecendo-se de viver a vida real”.

“As redes sociais não são reais” é uma das frases que marcam o discurso da adolescente  que contava com 570 mil seguidores no Instagram, 250 mil subscritores no YouTube e 250 mil seguidores no Tumblr. Essena quis alertar a sua geração para os perigos das falsas aparências da internet, para a ansiedade que as redes provocam nas suas vidas e para a necessidade de viverem livres deste tipo escravidão.

Em Outubro do mês passado, a CNN lançou os resultados do seu primeiro estudo sobre a relação dos adolescentes com as redes sociais nos EUA. Os resultados são assustadores e é impossível ficar indiferente a testemunhos como o de Gia, com 13 anos de idade, que afirma “eu preferia não comer durante uma semana do que ficar sem telemóvel. É realmente mau. Sinto literalmente que vou morrer”.

As novas gerações de adolescentes e crianças enfrentam o que, para as gerações anteriores pode ser uma novidade: a ansiedade de se sentirem socialmente aceites no mundo virtual. Na verdade 61% dos 200 adolescentes participantes neste estudo “dizem querer obter mais “likes” e comentários nos seus “posts”, 36 % dos adolescentes dizem querer ver se os amigos estão a fazer coisas sem eles e 21% dos adolescentes querem garantir que ninguém diz coisas más sobre eles.

Segundo o Business Insider, 90 % dos utilizadores do Instagram tem menos de 35 anos de idade. Sendo que as gerações mais novas não são consumidoras dos meios de comunicação mais tradicionais como revistas e jornais impressos ou até mesmo da televisão, as marcas vêm nas redes sociais uma grande atração para poderem apelar ao consumo dos seus produtos.

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Fotografias e vídeos que aparentemente relatam o quotidiano destas “estrelas” como Essena, levam aos mais jovens produtos e estilos de vida que as marcas pretendem definir como “perfeitos”. Embora para os mais velhos não seja novidade a imposição de consumo através de conceitos de beleza padronizados, as gerações mais novas parecem não estar suficientemente alerta.

É precisamente por isso que Essena O’Neill, entretanto criadora do projecto Let’s Be Game Changers é agora considerada por muitos adolescentes uma inspiração e um exemplo a seguir, uma vez que os elucidou sobre o “verdadeiro” mundo online.

Texto de: Ana Carvalho
Editado por: Rita Pinto